Violência urbana no Brasil

Enviada em 26/07/2020

O combate à criminalidade e à violência urbana no Brasil pode ser resumido pelo conceito de Estado Penal, de Loic Warrant. Segundo ele, investe-se fortemente na repressão, com o aumento do efetivo policial e do número de presos, sem que haja planejamento na prevenção de crimes. Esse modelo brasileiro é ineficaz e deve ser substituído por medidas focadas nas áreas sociais e na inteligência policial.

Inicialmente, cabe ressaltar a importância de políticas públicas a longo prazo que visem o bem-estar da população como solução para a segurança pública. De acordo com dados do Departamento Penitenciário Nacional, mais de 60% dos presos não chegaram no ensino médio. Tal estatística reflete como a falta de oportunidades impulsiona o cometimento de crimes. Portanto, investimento em educação, bem como no desenvolvimento social é imperativo para a redução da violência.

Ademais, destaca-se que áreas de perícia e de tecnologia são subvalorizadas pelas forças de segurança. Consoante o jornal O Globo, apenas 0,5% dos gastos policiais são em setores de inteligência. Entretanto, a saída para a criminalidade passa necessariamente pela análise estratégica e mapeamento das regiões com maior histórico de violência, bem como o uso de técnicas de investigação como, por exemplo, o uso de drones para monitorar e vigiar locais críticos.

Diante do exposto, percebe-se que a segurança pública não é adequadamente tratada no Brasil. Logo, é fundamental que as polícias, juntamente com o Judiciário, o Ministério Público e o Poder Executivo, com o objetivo de inibir a brutalidade urbana, adote medidas preventivas como investimentos sociais e utilização de métodos de investigação atuais e tecnológicos. Como exemplo da eficácia dessas medidas, tem-se o Distrito Federal, onde obteve-se uma taxa de resolução dos casos de feminicídios de mais de 90% (dados da Agência Brasil). Desse modo, pode-se construir um país mais seguro e menos violento.