Violência urbana no Brasil
Enviada em 02/08/2020
“Poder é quando nós temos toda a justificativa para matar, mas não matamos”. Essa era a definição de valor à vida, defendia pelo alemão Oskar Schindler”. No contexto atual, porém, a problemática vivida pelas vítimas da violência urbana revela uma realidade bem distante dessa preocupação com o próximo. Isso se deve à falta de atitude do Governo aliada à omissão da sociedade, o que urge por mudanças.
Em primeiro lugar, vale destacar que a ineficácia governamental está intrinsecamente ligada à violência urbana. Essa correlação fundamenta-se no fato de que ainda há muita burocratização e, consequentemente, um cenário de impunidade no Brasil, o que colabora para a intensificação da violência, a qual inclui, por exemplo, “a justiça com as próprias mãos”. Tal cenário hostil pode ser comprovado pelos dados da Organização das Nações Unidas, os quais revelaram que o Brasil encontra-se como o segundo país mais violento da América Latina. Nesse contexto, é evidente um grande desrespeito à vida e à liberdade de ir e vim, por exemplo, que estão previstos na Constituição Cidadã.
Em segundo plano, sob ótica sociológica, cabe ressaltar a omissão da sociedade como outro fator responsável pela intensificação da violência urbana. Isso fica evidente na fala do jurista Márcio Brava que revelou, em entrevista à Revista Le Monde Diplomatique Brasil, que a violência urbana reside no silêncio da sociedade, uma vez que ela entende e aceita erroneamente a exclusão que sofre desde os tempos coloniais. Nesse ínterim, é perceptível uma grande omissão em relação às denúncias e aos movimentos sociais, a fim de diminuir a impunidade e reivindicar uma maior segurança, respectivamente. Dessa forma, a sociedade é vítima das suas próprias contradições e condutas.
Infere-se, portanto, que a ineficácia governamental em paralelo com a omissão da sociedade são fatores interligados com a violência urbana. A fim de mitigar essa problemática, é imperativo que o Ministério da Segurança Pública, por intermédio da arrecadação dos impostos, amplie as investigações sobre crimes públicos, seja pelo aumento de funcionários capacitados, seja pelos investimentos em equipamentos ou remunerações trabalhistas, com o intuito de facilitar o processo criminal e diminuir a sensação de impunidade social. Paralelamente, a sociedade, por meio dos disks ou delegacias, deve denunciar os agressores físicos e verbais, além de ser necessário a sua atuação em movimentos sociais, a fim de exigir uma atuação melhor do governo na segurança, que é um direito brasileiro. Agindo assim, uma sociedade mais justa será formada para ação e benefício de todos.