Violência urbana no Brasil
Enviada em 09/08/2020
O cortiço. Capitães de Areia. Morte e Vida Severina. Por mais que algumas obras nasçam em épocas e contextos diferentes do Brasil, percebe-se que muitas delas têm função de denunciar questões sociais urbanas, como a violência e a criminalidade. Entretanto, apesar desses impasses serem abordados no campo literário, nota-se que essa problemática é vivenciada no cotidiano brasileiro. A partir desse contexto, é fundamental pontuar os motivos que levam a escalada da violência urbana no Brasil.
É válido, antes de tudo, observar como fatores demográficos e socioeconômicos estimulam a violência. Isso ocorre pelo fato de que muitos jovens, que vivem em comunidades mais carentes, não têm acesso à condições básicas de vida e a educação, assim tendem a buscar uma saída para uma vida melhor no mundo do crime, afirmando a teoria Determinista do geógrafo Friedrich Ratzel, o qual defendia a ideia de que o meio determina as ações do sujeito no mundo. Desse modo, é notório que a pobreza e a desigualdade social estão fortemente relacionadas ao aumento da violência no País.
É importante compreender, ainda, como a urbanização desorganizada alinhada à ineficiência do Estado contribuem para o aumento da violência urbana. Isso se explica porque o crescimento das cidades, de forma acelerada e desordenada, deu origem a diversos problemas sociais como a miséria, fome, desemprego e marginalização, que associados à carência de políticas públicas efetivas de controle urbano, acarretam no aumento da violência no País. Tal questão é evidente na falta de investimentos do Estado na segurança pública e no sistema carcerário brasileiro, o que é inaceitável, visto que o Brasil é a 9º maior economia do mundo segundo o FMI ( Fundo Monetário Internacional ) e em contraste é o 9º país mais violento de acordo com a OMS ( Organização Mundial da Saúde ).
É inegável, portanto, que a violência urbana ainda é um empecilho para a população brasileira. À vista disso, cabe ao Poder Executivo, na esfera federal, por meio do Ministério da Justiça juntamente com o Ministério da Cidadania, aumentar o investimento financeiro e logístico destinado a atividades de cultura, educação e formação profissional nas prisões, a fim de gerar a ressocialização dos indivíduos, para que o mesmo retorne a sociedade e não siga mais o mundo do crime e da violência. Tais investimentos também devem ser aplicados em comunidades mais carentes, com fito de prevenir a marginalização desses jovens.