Violência urbana no Brasil

Enviada em 23/08/2020

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a violência é resultado da não garantia dos direitos sociais básicos. Nesse sentido, a violência urbana no Brasil parece reflexo da manutenção das vulnerabilidades educacionais, especialmente entre os jovens, bem como da cultura violenta presente em parte da sociedade brasileira, principalmente nas forças policiais- herança da Ditadura Militar. Tal conjuntura contribui para a ampliação das altas taxas de homicídios no país e deve, portanto, ser combatida.

Diante disso, é indubitável que a educação deficitária das escolas públicas brasileiras esteja entre as causas dessa preocupante realidade nacional. Segundo Anísio Teixeira, intelectual brasileiro, a escola é responsável pela mudança de realidades sociais. Nesse cenário, o processo educacional frequentemente excludente e conservador, com a falta de professores, de materiais escolares e de uma linguagem mais atrativa aos jovens, desestimula essa parcela populacional a visualizar nos estudos a mudança de seu “statos quo” de vulnerabilidade educacional e econômica. Isso acaba facilitando o aliciamento da juventude por grupos criminosos violentos, como o narcotráfico, majoritariamente em comunidades carentes. Prova disso são os elevados índices de homicídios entre pretos e pobres no país.

Outrossim, esse quadro é agravado pela cultura de violência arraigada em boa parte da sociedade e das forças policiais. Não raro observa-se o bordão “bandido bom, é bandido morto” nas redes sociais da população e de representantes políticos. Essa apologia a um comportamento truculento - vestígio da agressividade da Ditadura Militar - estimula a adoção de práticas violentas pelo corpo social e pelas forças protetivas, uma vez que, pela aceitação social, servem de justificativa para atos bárbaros, a exemplo do extermínio de populações carentes pela polícia e dos linchamentos públicos de criminosos - houve o aumento de 20% dos assassinatos pela polícia em 2018, segundo o Atlas da Violência 2019.           Dessa forma, urge que o Estado brasileiro tome medidas diligentes que mitiguem a violência nas cidades. Destarte, o Ministério da Educação deve fortalecer a educação pública, principalmente nas comunidades pobres, por meio da ampliação dos investimentos governamentais para a contratação e a qualificação de professores, assim como pela introdução de programas educacionais atrativos aos jovens, a exemplo da prática esportiva, a fim de estimular a sua permanência na escola e reduzir seu aliciamento. Por fim, o Governo Federal deve, mediante programa de treinamento, orientar o quadro policial para reduzir a cultura de violência.