Violência urbana no Brasil
Enviada em 31/08/2020
Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a violência urbana no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Nessa perspectiva, há dois fatores que não podem ser negligenciados: a falta de políticas públicas e a falta de debate.
Em primeiro lugar, percebe-se que ausência de políticas públicas tem um papel coadjuvante em relação ao imbróglio. Sob esse viés, Abraham Lincoln, célebre personalidade americana, teceu diversas críticas ao sistema político no geral. Sempre enfatizando a ideia de que a política é serva do povo e não ao contrário. Com efeito, em relação ao alto índice de violência urbana no país, segundo o Mapa da violência, o que se nota é justamente o oposto do conceito que Lincoln defendeu, pois não há um conjunto de ações, planos ou metas públicas voltadas à resolução do empecilho. Logo, é inadmissível que a Constituição Federal de 1988 não assegure o direito à segurança e ao bem-estar da população.
Em segundo lugar, a falta de debate mostra-se como um desafio à resolução do problema. Sob esse lógica, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que o entrave como da violência urbana seja resolvido, faz-se necessário discutir sobre. Entretanto, vê-se uma lacuna no que se refere a esse questão, já que a mídia, como agente formador de opiniões, ainda que aborde a temática, muitas vezes é instigada de maneira superficial e sem continuidade. Ademais, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de 70,99% das vítimas de violência urbana são os jovens negros. Assim, trazer à pauta esse mote e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.
Portanto, medidas são necessárias para mudar o quadro atual. Destarte, para a conscientização da população brasileira a respeito da problemática, é preciso que as escolas, com apoio das prefeituras e das mídias, promovam um espaço para rodas e discussões sobre o conteúdo no ambiente escolar, por meio de palestras. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença de professores e de especialistas no assunto, com o intuito de combater a falta de debate e a falta de políticas públicas e de que as pessoas compreendam a matéria relativa ao enunciado. Com isso, a coletividade alcançaria a ‘‘Utopia’’ de More.