Violência urbana no Brasil

Enviada em 08/09/2020

Morte, medo, pânico, depressão. Diversas são as consequências da violência urbana no Brasil. Esse triste cenário de terror que assola a sociedade brasileira tem raízes na grande desigualdade social e na ineficiência das instituições públicas.

Primeiramente, vale ressaltar que a discrepância econômica existente na sociedade brasileira é peça fundamental na geração de violência no Brasil. Segundo dados divulgados pelo “Mapa da Violência”, os índices de latrocínio, homicídio e roubo estão diretamente relacionados com o grau de desigualdade econômica do local. Tal cenário pode ser explicado da seguinte forma: quanto maior a desigualdade, maior a dificuldade da população menos abastada competir com os mais ricos por postos de trabalho e, consequentemente, maior a chance do indivíduo ser seduzido pelo crime. Nessa perspectiva, a cidade do Rio de Janeiro, com seus condomínios de luxo e favelas, ilustra bem a realidade do país.

Ademais, associado ao abismo econômico, a incapacidade das instituições públicas, como os presídios, em reabilitar os detentos exacerba o problema. Consoante o filósofo Michel Foucault, na obra “Vigiar e Punir”, as cadeias são instituições autoritárias que tentam, por meio da força, exercer uma ortopedia moral sobre os indivíduos. Tal mentalidade é ineficiente e não somente dificulta o processo de humanização e reintegração do indivíduo na sociedade como, também, devido ao caráter violento da instituição, facilita que os infratores sejam aliciados por facções criminosas. Assim, os presídios não cumprem o seu papel social e tornam-se escolas do crime.

Portanto, medidas são necessárias para resolver os entraves. O Ministério da Fazenda, por meio de parcerias com as secretárias de desenvolvimento urbano, deve aumentar o número de programas de profissionalização em regiões menos abastadas a fim de facilitar o acesso aos postos de trabalho e dificultar o aliciamento dos indivíduos residentes dessas regiões pelo crime. Os programas serão expandidos a partir de maiores repasses financeiros da União para os Estados e municípios carentes. Além disso, o Poder Público deve ampliar os programas de ressocialização e reintegração dos detentos na sociedade para que, assim, menos presos sejam seduzidos pelo crime novamente.