Violência urbana no Brasil
Enviada em 07/09/2020
O civismo em xeque na contemporaneidade
No livro “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, é retratado o cotidiano de um grupo de jovens soteropolitanos abandonados, que buscam na criminalidade uma forma de sobreviver. Nesse sentido, a trama foca na marginalização desses menores que, afastados da convivência plena, sofrem com a falta de oportunidades e distanciam-se de uma vida digna e humana. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Amado pode ser relacionada ao Brasil atual: gradativamente, a violência urbana vem ganhando força no cenário nacional. Sendo assim, faz-se mister compreender como a desigualdade social e a banalidade do mal tornam-se mantenedoras desse quadro alarmante.
Em primeiro plano, tem-se a sociedade de privilégios como propagadora das transgressões. Diante disso, há a afirmação de Marilena Chauí, que expõe a disparidade social como característica principal do Brasil moderno, fato este que configura um ambiente marcado pela violência e pelo individualismo. Assim, a filósofa evidencia que a dificuldade de acesso à educação e ao mercado de trabalho, somada ao particularismo e a um corpo social egocêntrico e competitivo, faz com que parte da população veja no banditismo a chance de sustentar-se. Dessarte, sem perspectivas de uma vida melhor e envoltos em uma comunidade segregacionista, alguns dos marginalizados buscam a subsistência no crime.
Além disso, a consolidação da violência como inerente à coletividade contribui para a perpetuação da crise de segurança pública no país. Nesse contexto, menciona-se Max Weber, cujo postulado exibe o monopólio de práticas violentas como fator legitimador do poder de um indivíduo ou instituição. Logo, é notável que, ao considerar atos hostis como fundamentais para a demonstração de autoridade, a sociedade hodierna mostra-se completamente afastada da benevolência humana. Dessa forma, instaura-se a crise do civismo, defendida por Hannah Arendt, a qual afirma que em um corpo social incapaz de perceber a própria maldade, a violência prospera e passa a ditar comportamentos sociais.
Portanto, medidas hão de ser tomadas, a fim de combater a criminalidade urbana no país. Primeiramente, o Ministério da Educação precisa promover palestras que despertem o senso crítico da população acerca da importância do diálogo e da bondade como os verdadeiros elementos essenciais para atingir-se a jurisdição, honrando o compromisso nacional com a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Isso seria possível por meio da parceria com escolas e suprimiria a trivialização do mal. Ademais, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a partir da cooperação com as forças policias, deve assegurar a defesa de todos, reforçando o direito constitucional à segurança individual previsto no Artigo 144. Desse modo, garantir-se-ia uma vida distante daquela do livro “Capitães da Areia”.