Violência urbana no Brasil
Enviada em 12/09/2020
Na obra " Brasil: uma biografia “, as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling apontam ao leitor as idiossincrasias da sociedade brasileira. Dentre elas destaca-se " a difícil e tortuosa construção da cidadania “. Embora o país possui uma das legislações mais avançadas do mundo, muito do que nela se prevê não se concretiza. Tal fato é evidenciado na violência urbana no Brasil, tendo em vista que apesar dos brasileiros possuírem o acesso à segurança pública como direito constitucional, à ineficácia do Estado, associado à desigualdade social faz com que a cidadania não seja gozada por todos de maneira plena.
Em primeira análise, é irrefutável a negligência das autoridades na resolução desse problema, visto que ele persiste no contexto atual. Segundo o escritor Gilberto Dimenstein, em sua obra " O Cidadão de Papel “, nem sempre as leis presentes nos documentos oficiais são cumpridas, o que faz desencadear uma realidade em que à segurança pública é reconhecida e amparada pelo Estado apenas no papel. Esse cenário é presente no Brasil, posto que o Poder Público é incapaz de garantir total segurança ao seu povo, visto o elevado índice de violência nas ruas do Brasil, como por exemplo, os ataques realizados na cidade de São Paulo, pela organização criminosa Primeiro Comando Capital (PCC), a qual acarretou em 564 mortes e deixou a população em pânico.
Ademais, comprova-se, por parte do Estado, a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas para atenuar à desigualdade social. " Cidade de Deus " é um filme brasileiro, a qual refere-se a evolução do crime organizado na comunidade do Rio de Janeiro, em que muitos jovens são guiados ao mundo do crime, e é perceptível a ausência do Estado político, que só aparece para reprimir ou corromper. Nesse sentido, os indivíduos mais frágeis socialmente no Brasil, tem maior probabilidade de encontrar na criminalidade uma forma de sustento e status dentro da estrutura social brasileira, isso está atrelado a falta de perspectiva de profissionalização e de reconhecimento social. Tendo em vista a problemática supracitada, medidas são necessárias para resolvê-la.
Portanto, cabe ao Governo, por intermédio de subsídios tributários, investir em políticas públicas de inclusão social, especialmente na área da educação como por exemplo, cursos de profissionalização, de modo a dar mais oportunidades aos jovens de classe mais baixas. Outrossim, compete às ONGs, combater à desigualdade social, por meio da criação de projetos sociais nas áreas da cultura e esporte, como treinos de futebol, natação, cursos de teatro, música e pintura, a fim de tirar os jovens menos privilegiados de ambientes propícios à criminalidade. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.