Violência urbana no Brasil
Enviada em 13/09/2020
Na música “Faroeste Caboclo” escrita por Renato Russo, é narrada a trajetória de João de Santo Cristo, uma criança humilde que perdeu o pai cedo, e que, vendo-se sozinho sem amparo ou educação, tornou-se um adulto violento e protagonista de muitos crimes. A canção retrata a realidade enfrentada por muitas crianças e jovens no Brasil atualmente, e reflete um ponto que contribui para os altos índices de crimes cometidos no país. Pois verifica-se que a ineficaz promoção de amparo aos jovens e crianças, por meio de educação e atividades culturais, artísticas, de esporte e lazer, é um fator que se desdobra no aumento da violência urbana em nossa nação.
Em primeira análise, verifica-se o quanto é necessário ter uma boa formação educacional, com conclusão do nível fundamental, médio e superior de ensino, para concorrer a uma vaga de emprego em um mercado cada vez mais competitivo. Em vista disso, considerando a criança e o jovem com evasão escolar, que não concluem seus estudos, é certo que haverá dificuldades desse cidadão, ainda em formação, garantir um trabalho formal. Dessa forma, quando esse indivíduo percebe-se em um ambiente violento e não possuindo perspectiva de futuro, há maior possibilidade dele ser seduzido pelo mundo da ilegalidade e passar a ser um criminoso, pois como diz Paulo Freire: “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”.
Em segunda instância, percebe-se que crianças que possuem muito tempo ocioso, não havendo possibilidades de preenchê-lo com atividades voltados para ensino de valores e habilidades artísticas, esportivas e culturais, ficam mais tempo na rua. Com isso, são maiores as chances dessa pessoa ser aliciada por criminosos e aprender os valores deturpados desses contextos, vindo a fazer parte dessa estrutura de crime. Essa situação é retratada no filme brasileiro “Cidade de Deus”, no qual o personagem “Dadinho”, ainda criança, tem contato com a cultura da violência urbana do século XX e passa a cometer crimes graves, como homicídios em série, tornando-se, no futuro, o traficante mais perigoso do bairro.
De acordo com o que foi exposto, é necessário que o Ministério da Educação, a Secretaria de Cultura e o Ministério de Cidadania unam esforços e criem um programa no qual serão oferecidas atividades de qualificação educacional, esportivas, artísticas e culturais, por meio de cursos, oficinas e palestras - ministradas nos bairros mais vulneráveis por professores e por profissionais de outras áreas afins às atividades. O objetivo do projeto será engajar o jovem em uma realidade de educação, cultura e aprendizado de valores, diminuindo o desinteresse pela sala de aula, e consequentemente a invasão, ao mesmo tempo em que ocupa seu tempo ocioso e desenvolve nele habilidades que servirão para o trabalho. Assim, através de qualificação e amparo, não haverá mais tantos João de S. Cristo e “Dadinho”.