Violência urbana no Brasil

Enviada em 15/09/2020

Notório pela publicação de " Leviatã", em 1651, Thomas Hobbes, filósofo e teórico politico, conhecido por suas diversas frases presentes nos  livros de história , afirma que, em seu estado de natureza, " o homem é o lobo do homem". Ou seja em seu verdadeiro estado de natureza, o homem é selvagem e primitivo, por isso a necessidade do contrato social, estabelecimento de leis e naturalmente a criação de uma sociedade minimamente civilizada, para assegurar a paz da humanidade. Após esse processo de adaptação, no quesito de convivência em sociedade e com o surgimento de novas tecnologias, naturalmente novas adaptações e mudanças gradualmente necessitariam ocorrer visando a manutenção da ordem social e o máximo de segurança possível para todos os indivíduos.

Ordem social e segurança que de acordo com a Constituição brasileira de 1988 é dever do estado prover para toda população, sem distinção de classe social, etnia ou cultura. Algo que apresenta falhas sistêmicas no país, com ênfase na Ditadura Militar iniciada em 1964, responsável por centenas de desaparecimentos e mortes por razão política. Nesse período, principalmente o órgão da polícia militar tinha carta branca para prender, torturar e executar os denominados “comunistas”, que assim como hoje os moradores de periferias apresentavam " risco" para a soberania governamental.

Os responsáveis pela violência urbana não são somente os policiais, cujo dever é zelar pela segurança da população, mas sim uma população que vem apresentando um notável descontrole moral. No mês de abril de 2020 foram contabilizados 3.950 assassinatos, exatamente novas 294 mortes comparadas com o mesmo mês de 2019. Os números ligam o alertam vermelho para um governo que vem minimizando a violência urbana, sem propor projetos efetivos de combate ao problema e insistindo na flexibilização do posse e porte de armas, que em uma sociedade despreparada somente agrava a situação.

O problema enfrentado pelo Brasil, não adianta ser combatido com diminuição da maioridade penal ou aumento da rigidez nas punições, no que tange a área criminal do direito. Mas sim na raiz do problema, que vem sendo deixado de lado pelos últimos governantes que é a educação, responsável por moldar o caráter do individuo e proporcionar condições para o convívio harmônico em sociedade. A desigualdade de escolaridade, renda, acesso à saúde, juntamente com uma polícia despreparada e majoritariamente racista, basicamente tem como resultado uma doença de estrago imensurável que vem assolando o pais á centenas de anos. Mais armas na rua não adiantarão nada, mas sim um melhor preparo dos órgãos responsáveis pela segurança publica e principalmente uma sociedade armada, não de ódio, violência, tristeza e sim de livros e conhecimento.