Violência urbana no Brasil
Enviada em 01/01/2021
Consequência de uma urbanização acelerada e mal estruturada, o Brasil, inserido na América Latina, tem particularidades, dentre as quais a proximidade dos centros de produção de cocaína, que lhe conferem uma das maiorias taxas de violência do mundo. De acordo com relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), a terra do samba, em seu continente, só não é mais insegura que a caótica Venezuela. Afinal, o fenômeno deve ser entendido à luz da mídia e do racismo.
Inicialmente, a mídia contribui para uma polícia mais violenta. Em outras palavras, o longo alcance dos meios televisivos e a presença de programas policiais sensacionalistas estimulam a lógica revanchista. Em contexto, o despreparo e a ineficácia contrastam com a exigência por estratégias baseadas nos setores de inteligência que, detalhadamente, desarticulem grupos criminosos ricos em armas e conhecimento territorial. Assim, a inépcia de governantes com rasos projetos políticos no que tange à segurança nutre-se por pressões enfáticas e espontâneas de uma mídia nada construtiva ao debate público.
Entretanto, a “guerra ao crime” é enviesada, na medida em que é estimulada pelo racismo, fato que conclui em mais violência. Desse modo, uma população favelada de maioria preta, em consonância ao passado escravista, segundo o sociólogo Jessé Souza, não só é dominada pelo determinismo das desídias estatais educacional e sanitária históricas, como também pela violência policial. Certamente, a morte de jovens pretos, como o menino João Pedro- assassinado por agentes de segurança dentro de casa, no Rio- incita o rancor que envolve os tiroteios. Enfim, a eterna luta contra o crime envolve opressão e passa, em parte, pelo combate ao racismo.
Em suma, a violência das cidades brasileiras é alimentada por uma política de segurança pública racista e inflamada pela mídia. Urgentemente, os governadores devem elaborar projetos, por meio de debates com deputados estaduais, que humanizem as polícias, como a partir da introdução de aulas antirracistas nas academias militares e do estímulo ao ingresso de mais policias pretos no comando de corporações, para que o Brasil reforce a paz. Só assim, a harmonia dará lugar ao medo.