Violência urbana no Brasil

Enviada em 06/10/2020

O Código de Hamurabi, famoso conjunto de leis criadas durante a Antiguidade, na região da Mesopotâmia, concedia aos cidadãos o direito de revida, na mesma proporção, práticas delituosas direcionadas a eles, o que tornou popular a frase “Olho por olho, dente por dente”. É possível estabelecer, portanto, um paralelo com as taxas de violência urbana no Brasil, que recebem como resposta do Estado medidas meramente paliativas, que se caracterizam pela intensificação da violência policial e perseguição à população periférica, como forma de erradicar a criminalidade. Todavia, essa conjuntura não tem mostrado-se favorável, visto que os índices continuam alarmantes, o que torna clara a importância de estudar as raízes dessa patologia social, a fim de formular alternativas de combatê-la.

Em primeira análise, é válido citar que o estado de pobreza extrema como principal causa do problema, pois no Brasil, onde existem cerca de 13 milhões de miseráveis, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, a população não recebe o devido atendimento direcionado a suas principais carências, como saúde, educação e moradia. Diante disso, o livro “Capitães de Areia” retrata a vida de um grupo de adolescentes órfãos e sem-teto, que, para sobreviver, entram no mundo do crime, única de ascenderem socialmente. Assim como na obra, jovens, em sua maioria negros e pobres, não conseguem ingressar no mercado de trabalho por falta de estudos, optam pela criminalidade como forma de melhorar suas perspectivas de vida.

Em segundo plano, observa-se a importância da série norte-americana “Olhos que Condenam”, que aborda, por meio de um dos personagens principais, a falta de oportunidades de emprego para ex-presidiários, os quais acabam obrigados a retornar às práticas criminosas. Analogamente, os brasileiros recém-saídos das cadeia encontram dificuldade em conseguir um trabalho digno, visto que a maioria possui baixa escolaridade, somada aos antecedentes criminais. Em vista disso, depreende-se a importância dos programas que oferecem aos detentos cursos profissionalizantes.

Sendo assim, é fundamental buscar meios de democratizar as oportunidades de estudo e emprego a população, como forma de promover, a longo prazo, a diminuição dos índices de violência nas cidades. Para isso, é essencial a ação do Ministério da Educação, por meio do direcionamento de verbas aos colégios da rede pública, e implementação de auxílios financeiros