Violência urbana no Brasil

Enviada em 06/10/2020

O romance de Jorge Amado, Capitães de Areia, traduz em suas páginas a trajetória de um grupo de jovens rapazes de rua, tendo como líder Pedro Bala, que roubam para garantir sua sobrevivência. Apesar de fictício, a narrativa é insistentemente presente na realidade brasileira, principalmente no que tange à violência urbana e a desigualdade social. Dessa forma, é imprescindível analisar como a corrupção estatal e a falta de diálogo sobre as causas da criminalidade influenciam na persistência da problemática no Brasil.

Mormente, é necessário ressaltar que a inobservância do Estado em relação à criminalidade é um fator intimamente ligado à corrupção do órgão. Segundo o pensador John Locke, o Estado é o responsável por prover o bem-estar social, o que inclui a segurança. Todavia, no cenário tupiniquim, a própria figura responsável por garantir esse direito, corrobora a persistência da violência urbana, devido aos inúmeros casos de desvios de dinheiro público presenciados no território brasileiro. Tal atitude, além de criminosa, tolhe o repasse de verba para sanar a problemática, privando a sociedade de um direito básico.

Ademais, a desigualdade social é deixada de lado nos debates sobre a violência urbana. De fato, com a intensa desigualdade existente, há privação de certos recursos e direitos a indivíduos. Com isso, configura-se um impedimento de ascensão social, haja vista o pouco acesso a subsídios econômicos, educacionais e de saúde a uma parcela da população, deixando esses segregados da sociedade e à margem da criminalidade. Segundo o Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo, sendo necessárias políticas públicas eficientes para alterar esse cenário.

Destarte, é incontrovertível que a guerra nas ruas brasileiras possui raízes profundas e precisa ser resolvida. Sendo assim, faz-se necessária uma reeducação do Governo e da sociedade. Nesse contexto, o legislativo pode criar penas mais duras para os crimes de corrupção, de forma a impactar os políticos, pondo obstáculos para a efetivação de desvios de dinheiro público. Assim como ONGs, que possuem finalidade educacional, podem oferecer palestras nos municípios acerca da desigualdade social e suas consequências, assim como o poder do voto para mudar essa conjuntura, para conscientizar a população a escolher representantes preocupados em alterar o cenário desigual tupiniquim. Assim, a problemática será mitigada e histórias como dos Capitães de Areia permanecerão apenas nas páginas de um romance.