Violência urbana no Brasil

Enviada em 27/12/2020

No filme ‘’Tropa de Elite’’ é abordada uma esfera opressiva e impetuosa em que diversas pessoas perduram, cotidianamente, na cidade do Rio de Janeiro. Malgrado sua inserção no âmbito artístico, o longa-metragem brasileiro não se restringe somente a esse espaço, haja vista a elucidação fatalista de um problema atual: a violência urbana. Nesse viés, é válido destacar que muitos fatores, como a desigualdade e a banalização dessa violência, corroboram para que tal moléstia social seja pluralizada, cada vez mais, no país.

A princípio, segundo o procedimento genealógico do Friedrich Nietzche, toda complicação deve ser entendida sob um prisma estritamente histórico. Consoante isso, observa-se que a desigualdade social pode ser vista como uma herança do modelo escravista e autoritário no qual a sociedade brasileira sustentou-se por décadas. Nesse sentido, é notável a linha tênue existente entre tal vulnerabilidade e a violência urbana, uma vez que os indivíduos mais desestruturados econômica e socialmente, não raro, vêm a criminalidade como um instrumento de ascensão social. Por conseguinte, o contexto de afiliação dos cidadãos ao mundo do crime e das drogas, atrelado à guerra de facções e aos roubos, contribui para a elevação da violência nas cidades.

Outrossim, é fulcral analisar o conceito de ‘’banalidade do mal’’, delineado pela filósofa Hannah Arendt, em que há tolerância daquilo que é assumidamente antiético na sociedade. A partir desse pressuposto, é exemplo dessa vertente o descaso do Poder Público em aplicar e capacitar recursos humanos e financeiros contra a violência urbana, configurando uma conjuntura de banalização do problema. Em face desse exposto, tornam-se habituais e comuns episódios de agressividade no trânsito, de feminicídio, de preconceitos e de outras hostilidades nas grandes cidades brasileiras. Assim, depreende-se que essa conjuntura de normalização das violências dialoga com o pensamento de Hannah, demonstrando a fragilidade das relações comunitárias e do espírito coletivo de bem-estar.

Logo, é imprescindível que as escolas explicitem os perigos da criminalidade, recorrendo a aulas didáticas, a fim de desconstruir a visão positiva do crime e evitar, consequentemente, o envolvimento dos alunos com práticas ilícitas que geram a violência urbana. É importante, ainda, que o Governo Federal garanta os direitos básicos dos cidadãos e realize políticas públicas que vão de encontro a qualquer tipo de violência, por meio da aplicação de capitais e da devoção à realidade cívica, com intuito de desmantelar a desigualdade social e o clima agressivo urbano. Por fim, será possível garantir um futuro apaziguado nas cidades e relegar histórias como a de “Tropa de Elite” apenas ao plano ficcional.