Violência urbana no Brasil
Enviada em 25/10/2020
No livro “O Ódio que Você Semeia”, de Angie Thomas, é narrada a história de Starr, uma jovem de 16 anos que presenciou seu melhor amigo, Khalil, ser morto violentamente pela polícia, pelo fato de ser considerado suspeito apenas por ser negro. Tal questão transcende a obra e mostra-se presente na realidade brasileira, por meio da violência urbana na conjuntura hodierna, uma vez sustentada pela desigualdade social do país e a ineficiência do Estado em controlar a questão, bem como a passividade da população. Assim, faz-se imperiosa a análise acerca da problemática, para que possa contorná-la.
A princípio, vale destacar que a disparidade econômica contribui para a existência do cenário deletério. Conforme Dalai Lama, “a violência não é um sinal de força, a violência é um sinal de fraqueza e de desespero”. Sob tal ótica, evidencia-se que a hostilidade é oriunda de parte da sociedade que é marginalizada e que não possui oportunidades para uma melhor qualidade de vida, sofrendo no meio urbano com os altos custos de subsistência e com a convicção de que viver no crime é a única opção de se sustentarem. Logo, mesmo que o artigo 144 da Constituição Federal assegure a segurança da população, as dificuldades financeiras dos menos favorecidos impedem que esse direito seja efetivado.
Ademais, convém ressaltar que a falha do Estado, no aspecto preventivo, e a indiferença da coletividade influenciam na persistência do impasse. Segundo leis newtonianas, um corpo tende a permanecer ao mesmo estado, até que uma força atue sobre ele. Nesse sentido, assim como na música “Até Quando?”, do cantor Gabriel, o Pensador, que critica a postura passiva dos cidadãos diante dos problemas sociais, a situação crescente de casos de violência urbana propende a persistir se não houver uma maior interferência da administração superior, juntamente, com o corpo social, que deve se mobilizar para ocorrer mudanças no país, e não mais admitir qualquer forma de agressividade. Destarte, é indubitável que esse contexto necessita de interposições mais eficazes.
Infere-se, portanto, que medidas são imprescindíveis, visando mitigar os entraves à resolução desse revés. Urge que o Governo Federal, por meio da Receita Federal, direcione verbas para maior empregabilidade dos cidadãos desfavorecidos, proporcionando iguais viabilidades a todos os indivíduos - ofertando auxilio financeiro aos mais necessitados -, com intuito de cessar a desigualdade social em todos os municípios brasileiros. Outrossim, é mister que a Secretaria da Justiça e Cidadania promova campanhas de fiscalização das áreas mais violentas e realize projetos com a sociedade para uma mobilização crítica e reflexiva, para enfrentar os problemas sociais, principalmente, o referente à violência urbana. Dessa forma, histórias como a de Starr e Khalil narrada no livro, não ocorrerá na contemporaniedade.