Violência urbana no Brasil

Enviada em 08/12/2020

No filme “Cidade de Deus”, as crianças brincam de futebol enquanto ladrões roubam a carga de gás doméstico e a vizinhança comemora por conseguir uma parte do assalto. De fato, esse tipo de reação reflete a normalização dos crimes presente na sociedade. Nesse sentido, debater acerca da violência urbana é pertinente ao contexto brasileiro. Sobre essa perspectiva, é apropriado alegar que o comportamento agressivo é a resposta da sociedade à falta de atuação do setores públicos na área da segurança e é de responsabilidade do Estado reparar essa conjuntura.

Deve-se pontuar, antes de tudo, que o Brasil é o décimo sexto país mais violento do mundo, de acordo com a Organização das Nações Unidas. Nessa lógica, é válido afirmar que a falta de segurança é um fato consolidado dentro da sociedade brasileira. Segundo o sociólogo Max Weber, para assegurar a ordem pública, o Estado deve ter o monopólio sobre a violência. Logo, presume-se que pelo país não conseguir ter exclusividade sobre os atos violentos, os indivíduos precisam agir conforme a realidade que estão inseridos e essa conjuntura contribui para o cenário de caos público normalizado.

Ademais, o Estado precisa encerrar com essa desordem presente na sociedade. Dentre esses efeitos, é objetivo fundamental da República, conforme a Constituição Federal de 1988, promover o bem de todos os cidadãos. Por certo, em contraste com a Carta Magna, o Brasil demonstra despreparo em garantir amplamente esse direito, uma vez que país é considerado um dos mais violentos do mundo e a população está inserida em uma realidade caótica. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que trabalhem esse problema e seus efeitos.

Torna-se evidente, portanto, que casos como o dos personagens de Cidade de Deus não podem continuar a ser reflexo da sociedade brasileira. Assim, é necessário que o Ministério da Segurança Pública, com ações da união dos poderes executivos, amplie o efetivo policial, por meio de novos concursos públicos, com intuito de aumentar as áreas protegidas por agentes de segurança. Além disso, a mídia precisa influenciar os cidadãos a recorrerem aos meios legais para resolverem as brigas cotidianas, a fim de aumentar o monopólio do Estado sobre a violência. Enfim, a partir dessas ações, os brasileiros poderão gozar plenamente do direito garantido pela Constituição Federal.