Violência urbana no Brasil

Enviada em 04/11/2020

A violência urbana é um problema que há muito tempo deve ser combatido na sociedade brasileira. Entretanto, não é isso que acontece, dado que o Brasil é o segundo país mais violento da América do Sul, segundo a ONU. Desse modo, para solucionar, é necessário compreender essa realidade é fruto inegável da segregação social que assola o país. Nesse sentido, entre os princípios que sustentam essa realidade, pode-se mencionar  a exclusão socioeconômica, bem como a ineficiência do sistema carcerário.

Convém ressaltar, a princípio que a supressão socioeconômica dos mais vulneráveis é um dos principais intensificadores da violência urbana. Essa situação ocorre em decorrência da persistência da desigualdade que existe desde o processo de urbanização do Brasil, no qual os indivíduos à margem desse sistema se sustentam e progridem sem a atuação efetiva de políticas públicas do Estado. Em consequência disso, tornam-se vulneráveis à escassez de oportunidades de emprego, ascensão social e pobreza. Assim, recorrem ao crime como alternativa de sobrevivência, dado que em muitos casos recebem dinheiro para cometer homicídios, furtos, roubos e participar do tráfico de drogas.

Outrossim, vale destacar que a falha do sistema carcerário é preponderante na perpetuação da criminalidade nas cidades brasileiras. Isso acontece porque há um processo ineficiente de ressocialização dos presos, dado que é demarcado por condições desumanas de higiene básica, tratamento e superlotações. Consequentemente, além de intensificar a fúria desses indivíduos, essa conjuntura é propícia para a permanência da péssima perspectiva de vida e segregação social, logo, tendem a reincidir ao crime como única opção. Prova disso, é a pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em 2015, na qual apontou que a cada quatro ex-presidiários, um volta a praticar delitos no prazo de cinco anos.

Portanto, é evidente a necessidade de medidas capazes de mitigar essa problemática. Dessa forma, cabe ao Estado promover políticas públicas efetivas de amparo à classe desfavorecidas, por meio da qualificação do ensino público e assistência social, de modo a utilizar as verbas advindas dos royalties do petróleo, com o objetivo de promover a ascensão social pelo viés do crescimento pessoal e qualidade de vida, no intuito de diminuir as desigualdades e alternativas ao crime. Além disso, cabe ao Ministério da Segurança Pública criar novos métodos de ressocialização, através de melhores condições básicas, bem como o aumento de opções de trabalho e estudo nos presídios, tal como a participação dos presos em processos industriais têxteis e cursos técnicos, com o fito de inserir socialmente e economicamente esse indivíduo ao mundo externo, a fim de erradicar a violência urbana.