Violência urbana no Brasil
Enviada em 06/11/2020
Desde o Período Colonial brasileiro, a violência foi código de conduta nos mais diversos cenários do país. Essa realidade estendeu-se, hodiernamente, na sociedade, seja pela desigualdade social imposta, seja pela inexpressividade do Estado no que tange à garantia da segurança da população, bem como à funcionalidade do sistema carcerário. Nessa conjuntura, resultou-se no ambiente alarmante de violência urbana, necessitando-se de ações governamentais com o fito de atenuar essa condição.
Sob esse viés, vale salientar a alusão do escritor brasileiro Ariano Suassuna, o qual aborda a injustiça secular da desigualdade social que divide o Brasil em dois lados, o dos privilegiados e o dos despossuídos. Na perspectiva do pensamento citado, é inegável a herança negativa deixada na formação social brasileira, em que as vantagens socioeconômicas concentram-se em uma pequena parcela da população. Diante disso, aquele que se encontra em condição de desvantagem na sociedade, não usufruindo dos mesmos direitos, utiliza-se da violência e da hostilidade para adquirir bens financeiros, na tentativa de amenizar a disparidade imposta, vivendo, então, à margem da lei. Nesse contexto, a desordem instala-se e dá aval ao aumento de assassinatos e de assaltos nos grandes centros urbanos devido à precisão de recursos monetários.
Outrossim, a leniência do Estado é, também, agravante na progressão da problemática em questão, uma vez que não é cumprido o que se estabelece na no artigo 144 da Constituição Federal de 1988, em que a segurança é uma prerrogativa de todo cidadão. Nessa situação, boa parte da população enfrenta crimes de violência no cotidiano, não logrando da proteção adequada, sobretudo, nos lugares públicos. Ademais, vale ressaltar a realidade do sistema carcerário no Brasil, em que não se cumpre a real função, a ressocialização do preso. Assim sendo, o indivíduo que se encontra nas más condições de sobrevivência dentro de presídios superlotados, com condições precárias, intensifica o sentimento de revolta e de agressividade, refletindo, de certo modo, na continuidade do caos.
Portanto, são vários os aspectos que contribuem para a violência urbana no Brasil. Por isso, cabe ao Estado desenvolver projetos, nos presídios do país, periodicamente, por meio da integração de atividades em grupo que estimulem o bom convívio e o trabalho, bem como a realização de palestras que incentive a aptidão socioemocional dos presos, com o fito de diminuir o ciclo de ódio e de violência desses indivíduos, cumprindo, de certo modo, sua ressocialização. Ademais, cabe ao Governo, realizar projetos em escolas públicas que impulsionem os jovens a verem na educação uma forma de ascensão social, para que, dessa maneira, a desigualdade não promova a introdução na criminalidade.