Violência urbana no Brasil

Enviada em 13/11/2020

Um indivíduo em desespero, ao passo que, em seu entorno, personagens mostram-se apáticos a esse sofrimento. É isso o que se observa no quadro “O grito”, do pintor Edvard Munch. Contudo, essa indiferença frente às adversidades alheias não se limita à obra expressionista, já que, no Brasil, as vítimas da violência urbana têm sido negligenciadas por determinados setores da sociedade. Nesse prisma, caba analisar deficiência na segurança pública e a displicência com o sistema carcerário como elementos intensificadores dessa problemática no país.

De início, pontua -se que o Poder Público tem se mostrado omisso ao não combater a violência urbana. Isso porque existe uma deficiência no processo de investimento financeiro na segurança pública, uma vez que faltam verbas para ampliar o policiamento ostensivo, o que tem comprometido a realização de operações preventivas a ações criminosas, tornando a população mais vulnerável, por exemplo, a assaltos e latrocínios. Vê-se, então, que o Estado não tem assegurado o bem-estar de toda a coletividade, demonstrando um desrespeito aos princípios previstos na Constituição Federal de 1988.       Ademais, enfatiza-se que aceitar a violência urbana é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado certa resignação diante da baixa assistência estatal ao sistema carcerário, uma vez que falta oferecer cursos profissionalizantes aos detentos, o que dificulta a reinserção social destes por meio do ingresso no mercado de trabalho, podendo facilitar a reincidência criminal e fortalecer, com isso, a violência nas cidades. Assim, constata-se que a naturalização dessa problemática corrobora os estudos da filósofa Hannah Arendt, posto que, segundo ela a massificação social exerce influência sobre as pessoas, fazendo com que percam a capacidade de distinguir o que é ou não aceitável.

Infere-se, portanto, que a violência urbana deve ser combatida. Logo, é necessário que o Estado, mediante atuações do Poder Executivo, invista financeiramente na segurança pública, o que pode ser feito por meio do direcionamento de verbas à ampliação do policiamento ostensivo nas ruas, a fim de prevenir ações criminosas e, por conseguinte, salvaguardar a vida e a integridade da população. Além disso, é fundamental que organizações não governamentais, por meio da criação de campanhas midiáticas, sensibilizem as pessoas sobre a importância de não se manter inerte diante da violência nas cidades, potencializando, com isso, a mobilização coletiva em prol de uma assistência estatal que ofereça cursos profissionalizantes no sistema prisional, com o intuito de promover a reinserção social dos detentos, reduzindo, então, as chances de retorno à criminalidade. Desse modo, a indiferença frente às adversidades alheias poderia se limitar à obra de Munch.