Violência urbana no Brasil

Enviada em 18/11/2020

A Constituição Federal, promulgada em 1988, garante o direito à vida e à medidas que visem o progresso humano. Entretanto, no que tange ao aumento da violência, sobretudo nos espaços urbanos, observa-se causas latentes, como a má aplicação dos dispositivos supracitados, bem como a precariedade dos sistemas penitenciários, esses que vão de encontro à Carta Magna e corroboram na manutenção dessas violências.

Deve-se pontuar, de início, que a falibilidade resolutiva cristaliza a violência urbana no Brasil. Isso acontece porque os governantes estão distanciados da realidade vivida por parte do corpo social, principalmente nas regiões periféricas. Desse modo, eles são incapazes de enxergarem a carência resolutiva que aparatos fomentadores de paz possuem. Nesse viés, no que se refere à raiz da problemática, crianças e adolescentes vulneráveis são facilmente recrutados para o crime organizado, o que leva ao aumento da violência. A respeito disso, o Instituto Paulo Montenegro mostrou em um estudo que, no Brasil, cerca de 50% das crianças e adolescentes têm, pelo menos, um de seus direitos corrompidos. Portanto, as atitudes egóicas e negligentes do Estado impede que as pessoas exerçam a cidadania plena, e apelem para situações que colaboram na manutenção dessas brutalidades.

Ademais, a situação enfrentada por pessoas que, em tese, deveriam estar submetidas a políticas de recuperação, gera os fenômenos de violência enfrentadas nas cidades. Tal situação é responsabilidade do Estado, pois, uma vez que um cidadão é preso, o mesmo é assegurado a receber medidas que o reeduque, a fim de ser reinserido novamente no corpo social. No entanto, à medida que lhes é dada está em ressonância à obra “Vigiar e Punir”, de Michel Foucault, que relata a postura comum do Estado de destinar esses infratores a locais inóspitos, como as penitenciárias nesse caso brasileiro, para eliminar da sociedade esses indivíduos “indesejados”. Assim, são inseridos na sociedade conforme às situações que viveram no quando encontravam-se presos, intensificando a problemática abordada.

Logo, visando a resolução das violências urbanas, a sociedade precisa articular-se e eleger políticos que defendam interesses sociais, como as práticas educativas e preventivas. Isso pode ser feito através de debates online e presenciais, com a atuação de estudiosos do campo acadêmico, para que não haja o distanciamento dos líderes governamentais, e assim promovam melhorias nas lacunas que tanto intensificam a violência. Além disso, o Poder Executivo deve oferecer melhorias, principalmente às condições de sobrevivência, como maior conforto, com auxílio de profissionais da área da psicologia para a recuperação psicológica, para que a prisão encerre o ciclo da violência e não a incentiva cada vez mais. Com essas medidas, os brasileiros, usufruirão de experiências mais seguras e democráticas.