Violência urbana no Brasil
Enviada em 27/11/2020
A obra “Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess, trata de uma sociedade distópica, em que o crime é incontrolável, a polícia ineficiente e violenta, e os jovens principais alvos da criminalidade. Analogamente, o Brasil apresenta altos índices de violência urbana, causadas pela má gestão da segurança pública e por condições sociais segregadoras, que aproximam o país do romance citado.
Sabe-se, em primeiro plano, que a Anomia, de acordo com Émile Durkhein, caracteriza-se por uma condição social em que o Estado é incapaz de garantir a segurança e a população sente-se ameaçada, o que se assemelha à realidade nacional. Nesse sentido, a polícia brasileira é, de acordo com dados da Anistia Internacional, violenta e responsável pela morte de indivíduos pertencentes a grupos de risco, como homens negros moradores de favelas. Tal fenômeno decorre do despreparo psicológico das forças policiais, do estresse e da pouca assistência estatal direcionada para elas. Além disso, a ausência do Estado em localidades periféricas dá vazão à presença do tráfico, que, sob a forma de poder paralelo, solidifica-se nas comunidades. Outrossim, para combater a criminalidade é defendido um projeto de “Guerra às Drogas”, que tanto não se ocupa de extinguir os fatores originadores da criminalidade, como gera mais violência, dado os exemplos das Unidades de Polícia Pacificadora, no Rio de Janeiro, e seu insucesso ao aplicar coerção policial agressiva.
Constata-se, ainda, que, conforme o educador Cristovam Buarque, a educação é fundamental para formar os aspectos futuros do Brasil. Desse modo, uma escola pública precarizada restringe as possibilidades sociais de seus alunos, privados de diversas oportunidades de trabalho, que são substituídas pela entrada no mundo do crime. Não obstante, a violência escolar é cada vez mais comum, de acordo com dados do Grupo Abril, o que demonstra a falha nacional em desconstruir a cultura da violência. Sob outro viés, a educação também é ausente em ponta da estrutura social, a saber, nos presídios, pois o sistema penitenciário adota uma operação punitiva, e não de ressocialização. Assim, perde-se a oportunidade de quebrar o ciclo da violência urbana, o que possibilita que o preso não reinserido volte a cometer crimes e exponha seus descendentes aos mesmos fatores que o fizeram entrar na criminalidade.
Dado o exposto, é necessário que as Secretarias de Segurança Pública de cada estado mapeiem as áreas de risco para a segurança, e, juntamente com as Secretarias de Educação e ONG’s parceiras, instituam centros educadores para a juventude, a fim de evitar sua captação pelo crime, quebrar o ciclo da violência e impedir sua entrada nas penitenciárias. Finalmente, às forças policiais deve ser oferecida assistência psicológica por essa junta, e a realidade brasileira se afastará da obra de Burgess.