Violência urbana no Brasil
Enviada em 15/12/2020
Numa sociedade vetusta, a adoção do regime escravocrata -no século XVI- deixou inúmeras marcas intrínsecas na sociedade. Nesse contexto, o uso da agressão física e psicológica como forma de demonstrar poder foi banalizado e estabelecido. Persistindo atemporalmente, percebe-se que os valores coloniais ainda estão presentes na sociedade hodierna e, a persistência da violência urbana tem sido evidente. Assim, entre os fatores que contribuem para solidificar esse quadro, destacam-se a ineficiência pública, bem como a violência policial.
Decerto, o Estado não tem cumprido devidamente o papel de gestor da segurança civil. De maneira análoga a esse cenário, a série “The Purge”, disponível na plataforma Prime Vídeo, retrata uma versão distópica dos Estados Unidos em que, uma vez por ano, todo crime -incluindo assassinato e estupro- é legalizado e permitido pelos órgãos públicos. Fora do ambiente ficcional, percebe-se que a realidade brasileira faz-se semelhante e o governo, muitas vezes, negligencia seu dever de proteção social no ambiente urbano. Dessa forma, em virtude da ineficiência estatal, os índices de violência tem aumentado, assim como aponta um levantamento disponível no portal de notícias G1.
Paralelo a isso, é notável que a aplicação de uma conduta justa nem sempre ocorre devido à violência policial. Sob tal ótica, o conceito “violência simbólica”, desenvolvido pelo sociólogo Pierre Bordieu, afirma que a violação dos Direitos Humanos não consiste somente no embate físico, o desrespeito está -sobretudo- na perpetuação de contextos sociais opressores e que ferem a dignidade humana. Nesse viés, fica evidente que, assim como na sociedade do século XVI anteriormente mencionada, a ação repressora das forças de segurança é exacerbada e banalizada, o que contribui diretamente para o aumento das hostilidades nas cidades.
Destarte, frente a provectos fatores estatais e policiais, a violência na sociedade tupiniquim necessita de medidas de intervenção. Portanto, o Ministério da Justiça, como instância máxima dos aspectos ligados à jurisdição brasileira, deve adotar estratégias no tocante a letargia governamental. Essa ação deve ser feita por meio da criação de órgãos específicos de segurança e projetos que visem a maior ação do Estado, a fim de combater de forma eficiente e diminuir os índices de violência nas metrópoles. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, por meio de cursos de conduta, minimizar as agressões policiais, com o fito de tornar as abordagens mais pacíficas e justas. Somente assim, o cenário exposto em “The Purge” não será compatível com a realidade e a hostilidade diminuída.