Violência urbana no Brasil
Enviada em 16/02/2021
Segundo Marcelo, criador do maior canal brasileiro sobre o militarismo no Youtube (“Hoje no mundo militar”), o pior ambiente de combate é o urbano, por conta da proximidade que há entre opositores armados. Como tal, o cenário urbano brasileiro é bastante propício à violência, pois os criminosos dispõem de poder econômico e bélico para impor seus interesses às comunidades, sendo respondidos apenas pelo poder-dever do Estado de intervir na mesma proporção. Consequentemente, multiplicam-se os tiroteios com armas de guerra entre vielas nas favelas. Definitivamente, não é por meio do confronto direto que essa situação encontrará sua solução.
Em primeiro lugar, nunca nenhuma arma ou munição de guerra foi produzida dentro de uma comunidade, pois não há especialistas e tampouco maquinário para esse tipo de fabricação. Portanto, a solução para a violência urbana jamais poderá ser simplificada pelo confronto armado direto porque, como exposto por Marcelo, esse é o ambiente mais desfavorável. Isso ficou evidente após o governo de Sérgio Cabral, no estado do Rio de janeiro, pois o governador adotou a politica do confronto, segundo o mesmo, e nada mudou; ainda há milhares de bocas de fumo no Estado e o poder paralelo (tráfico e milícias) ainda impõe suas vontades nas comunidades.
Como consequência disso, houve um número altíssimo de policiais mortos no Estado - é comum ao fim do ano os jornais noticiarem, estatisticamente, mais de 100 policiais mortos. Essa violência toda não é exclusiva do Rio de Janeiro, mas do Brasil; houve, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mais de 62 mil assassinatos no país em 2016 e, entre eles, mais de 70 por cento deles eram de pessoas negras ou pardas, reflexo da imensa desigualdade social e racial brasileira.
Conclui-se que, diante do mencionado, não há dúvidas de que o enfrentamento da violência pelo confronto direto não é uma medida eficaz, seja pela natureza do ambiente urbano não favorecer esse enfrentamento, ou pelo fato de não ter dado certo onde foi aplicada. Uma melhor solução é a maior presença do Estado em regiões hoje marginalizadas, por intermédio da maior presença de serviços sociais fundamentais, como coleta de lixo adequada e escolas mais valorizadas e modernizadas para melhor inclusão desses cidadãos à sociedade; dessa forma pode se chegar à redução da desigualdade, necessária à redução dos índices de violência.