Violência urbana no Brasil
Enviada em 24/02/2021
Como fruto de uma nação saqueada desde os primórdios de sua história colonial, o crime e a violência são marcas e cicatrizes de um Brasil que nunca deixou de existir, o desigual. A herança escravocrata, deixada como cultura social, molda a sociedade brasileira de tal forma, a ponto de ser sentida através da dor de uma mãe que perde seu filho em decorrência da violência. O Brasil dos homicídios, da desigualdade social e do descaso político persiste em sobreviver.
Por falta de estrutura familiar, oferta de emprego, noções cidadãs e educação, milhares de jovens e adultos optam pelo caminho da violência para obter seus objetivos, que variam de uma ascensão social e maior poder financeiro, à até ter uma forma de alimentar seus entes queridos. A dívida com o tráfico de drogas também financia os problemas de um país que não garante um dos direitos civis mais básicos ao cidadão: a segurança. Se o estado tem o poder da espada em suas mãos, é papel deste usar da melhor forma esse artifício, combatendo através de leis e forças policiais aqueles que ameaçam a vida de inúmeros brasileiros. Além disso, cabe ressaltar que a ineficiência do poder judiciário, no que diz respeito ao cumprimento de pena e ao mantimento do cárcere, não condiciona o indivíduo para retornar a sociedade, sendo um agente decisivo na má condução dos processos, como reflexo de leis frágeis.
Ao passo que as forças policiais se mostram ineficientes, mal remuneradas e mal geridas, a educação se mostra como uma alternativa que anda em conjunto com a segurança, propondo uma saída para o mundo da violência. De acordo com Paulo Freire, a educação como agente transformador, conscientiza o indivíduo, tornando-o capaz de intervir nas questões sociais, sendo o elo entre uma sociedade segura e igual. Dando educação ao pobre periférico que não tem estrutura familiar, oferta de emprego e qualificação profissional, a opção pelo mundo do crime se esvai na cabeça do ser, que encontrará em meios legítimos melhores formas de viver e alcançar seus objetivos, enquanto a polícia deve se ater a guerra às drogas e combate a milícias.
Visto que, decorrente da herança histórica de um Brasil escravocrata que financia a desigualdade que gera violência, cabe às instâncias do governo, em especial, Ministério da Educação, garantir, como previsto na Constituição, educação a todo e qualquer indivíduo, estimulando-o a investir em sua formação profissional e cidadã. Além disso, ao Ministério de Segurança, cabe rever as estratégias de combate ao crime, priorizando a melhoria nos salários de policiais e melhorando a capacitação desses, e assim, contribuindo para um Brasil ideal para os brasileiros.