Violência urbana no Brasil

Enviada em 13/04/2021

A Constituição Federal do Brasil, promulgada em 1988, garante que todos os cidadãos devem ter acesso à segurança. Entretanto, observa-se que essa legislação não é aplicada adequadamente, uma vez que há na sociedade a presença marcante da violência urbana. Assim, vê-se a configuração de um grave problema, que é acentuado pela base educacional lacunar no tratamento do tema e pelo silenciamento dos veículos midiáticos.

Em primeiro plano, vale ressaltar a lacuna educacional como grande empecilho à resolução da problemática. Conforme o filósofo Immanuel Kant, o ser humano não é nada além daquilo que a educação faz dele. Nessa perspectiva, nota-se que a escola desempenha um papel fundamental na formação de cada cidadão. Desse modo, as instituições de ensino deveriam estimular a prática da empatia e da resolução de conflitos de forma pacífica entre todos os estudantes. No entanto, ao não apresentarem essa temática desde a educação básica, contribuem para a consolidação da violência urbana, visto que os indivíduos, que não tiveram contato com essas informações, não têm consciência do impacto de seus atos.

Ademais, cabe mencionar o silenciamento dos meios de comunicação como fator determinante para a persistência desse cenário. Segundo o pensador Jurgen Habermas, a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob esse viés, percebe-se que a mídia, como plataforma de muita visibilidade, deveria debater amplamente a questão da violência urbana, de modo a alertar a população sobre a situação precária da segurança pública do país e ajudar na cobrança por mudanças significativas nessa estrutura social, já que, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil registra a segunda maior taxa de mortalidade por agressão do mundo. Contudo, ao não discutir esse problema, os veículos midiáticos favorecem a fixação desse quadro, o que confirma a necessidade imediata de mudança de postura desses setores.

Portanto, urge que uma intervenção seja implementada. Para isso, o governo, por meio do investimento em palestras e rodas de conversa, que serão realizadas aos fins de semana nas escolas com especialistas, e as mídias de massa, através da divulgação dessa ação, devem fazer a criação de um projeto que vise educar a população sobre as agressões urbanas e a importância de usar a alteridade nas relações sociais para a garantia do bem-estar geral, a fim de combater a base educacional lacunar e o silenciamento presentes na questão, o que proporcionará, consequentemente, o fim dessa violência no país. Dessa maneira, o direito à segurança será garantido como está previsto na Constituição Federal.