Violência urbana no Brasil
Enviada em 25/04/2021
A segurança é um direito constitucional garantido à todos, porém apesar do seu status, o Estado brasileiro vem a relegando a um segundo plano. Decerto que se trata de um problema estrutural, já que suas raízes estão na formação histórica do país, como o latifúndio, a segregação e o preconceito. Tanto, que uma das consequências por essas mazelas é que o Brasil é um dos países mais violentos do mundo, por exemplo, o país ocupa a 12° posição no ranking do países com mortes mais violentas. Sendo asssim, a violência urbana é mais um reflexo da história do Brasil e do descaso do Estado para com os mais necessitados.
Pirmeiramente, cabe ressaltar que a violência urbana cresceu com o processo do êxodo rural aliado à industrialização. Visto que, a junção dos latifúndios (de acordo com o INCRA 3% das propriedade ocupam 56,7% das terras agriculturáveis) com o desenvolvimento tecnológico no campo gerou uma massa de trabalhadores ociosos sem terra e sem emprego. Esses em busca de melhores condições de vida, mudaram-se para as cidades, entretanto, os centros urbanos não tinham infra-estrutura para recebê-los. Sendo assim, a falta de recursos junto com uma cultura de segregação e preconceito empurraram os migrantes, principalmente os negros e pardos, para a periferia. Dessa forma, parte da população foram empurradas para aréas abandonadas pelo Estado, e isso tornou-se a pólvora para o aumento da violência, posto que, os cidadãos, principalmente os mais jovens, ficaram sem perspectiva de futuro e recorreram ao tráfico como medida de sobrevivência.
Certamente, a periferia é marcada pelo abandono estatal, onde há a escassez de saneamento básico, transporte, segurança, educação, saúde entre outros. Toda essa ausência de governo favorece o crescimento da violência urbana, pois, é na ausência das instituições governamentais que os criminosos tomam o seu lugar. Como por exemplo, o Rio de Janeiro, onde milícias já controlam parte da cidade e os políticos dessas regiões (principalmente por meio de financiamento das campanhas), gerando mais insegurança, como depreendemos do documentário “Notícias de uma Guerra Particular”.
Diante do acima exposto, faz-se urgente que o Governo Federal junto com o governo Estadual, promovam campanhas de presença estatal nas áreas periféricas, para tanto, precisam realocar recursos financeiros na construção de escolas, postos de saúde, transporte público, intensificação do policiamento, para assim, os cidadãos da comunidade se sentirem pertencentes e valorizados por aqueles que os representam, e dessa forma terem as condições essenciais para o seu pleno desenvolvimento. Uma vez que, somente assim, com acesso pleno aos direitos para todos é que a violência irá cessar.