Violência urbana no Brasil

Enviada em 26/04/2021

A partir dos anos 70 a urbanização intensificou-se no Brasil, devido, principalmente, ao processo do Êxodo Rural e da industrialização. Esse movimento migratório ocorreu de forma desorganizada e sem a supervisão do Estado. Tais condições, mais os problemas sócio-históricos, como o preconceito, a exclusão e a discriminação, empurraram os novos migrantes para as áreas periféricas, regiões sem infraestrutura para receber os novos moradores. Portanto, o abandono estatal fomentou a violência nesses locais e essa acaba refletindo-se em toda a sociedade urbana, tanto que o Brasil ocupa a 12° posição no ranking dos países com mortes mais violentas, de acordo com o Mapa da Violência do ano de 2019. Sendo assim, a violência urbana é mais um reflexo da história do Brasil e do descaso do Estado para com os mais necessitados.

Primeiramente, cabe ressaltar que a violência urbana é um reflexo dos problemas estruturais na sociedade brasileira, por exemplo, a histórica concentração de terras exclui os camponeses do campo, principalmente com o advento da mecanização da agricultura, que gerou um execedente de desempregados. Dessa forma, a cidade acabou tornando-se um refúgio para eles, entretanto, sem infraestrutura para todos, esses foram para as regiões periféricas.  Ademais, com a lógica de exclusão e preconceito, em que reformas urbanas são fomentadas com a ideia da segregação das classes sociais, onde ricos e pobres vivem em locais apartados. Parte da população mais carente fica restrita às regiões sem o apoio do Estado, portanto, em áreas sem a infraestrutura que garantisse o mínimo dos direitos constucionais, como a segurança, a saúde, a educação e o transporte.

Decerto que a falta dessas garantias para uma vida digna fomenta a violência, principalmente, entre os jovens, que sem perspectiva de futuro se envolvem com o tráfico. As comunidades perdem os seus jovens, ficam reféns do tráfico, como se percebe no documentário “Notícias de uma guerra particular”, onde uma comunidade sem a presença do Estado reconhece o tráfico como uma estrutura de poder a obedecer e a socorrer-se diante das necessidades básicas da vida, como alimentação e remédio. Portanto,  a ausência estatal abre espaço para o tráfico enraizar-se na sociedade.

Diante do acima exposto, faz-se urgente que o Ministério das Cidades junto com as secretarias das fazendas estaduais promovam campanhas de presença estatal nas áreas periféricas. Para tanto, precisam realocar recursos financeiros para a construção de escolas, de postos de saúde, de transporte público, como também intensificarem o policiamento nesses locais. Dessa forma, os cidadãos das áreas favelizadas se sentirão pertencentes ao Estado, como também terão as condições essenciais para o seu pleno desenvolvimento e com isso os indíces de violência irão diminuir.