Violência urbana no Brasil

Enviada em 27/04/2021

A partir do anos 70 a urbanização intensificou-se no Brasil, devido, principalmente, ao processo do Êxodo Rural e da industrialização. Esse movimento migratório ocorreu de forma desorganizada e sem a supervisão do Estado. Tais condições, mais os problemas sócio-históricos, como o preconceito, a exclusão e a discriminação, empurraram os novos migrantes para as áreas periféricas, regiões sem infraestrutura para receber os novos moradores. Portanto, o abandono estatal fomentou a violência nesses locais e essa acaba refletindo-se em toda a sociedade urbana, tanto que o Brasil ocupa a 12° posição no ranking dos países com mortes mais violentas, de acordo com o Mapa da Violência do ano de 2019. Sendo assim, a violência urbana é mais um reflexo da história do Brasil e do descaso do Estado para com os mais necessitados.

Primeiramente, cabe ressaltar que a violência urbana é um dos reflexos dos problemas estruturais na sociedade brasileira. Por exemplo, a histórica concentração de terras, estima-se de acordo como Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) que 8% das propriedades ocupam 56,7% das terras agriculturáveis no Brasil, portanto, não há terra para os camponeses e esses migram para as cidades. Entretanto, o alto custo de vida das cidades mais a especulação imobiliária, não muda o panorama do camponês, que continua sem a propriedade e entregue a própria sorte. Portanto, a falta de reforma agrária e urbana, acarreta nos bolsões da pobreza, onde a violência tende a intensificar-se.

Decerto que a falta dessas garantias para uma vida digna fomenta a violência, principalmente, entre os jovens negros e pardos, esses sem perspectivas de futuro se envolvem com o crime organizado, mais de 60% dos presos são negros, conforme dados do Mapa da Violência. As comunidades ficam reféns do tráfico, como se percebe no documentário “Notícias de uma guerra particular”, que relata a história de uma comunidade que sem a presença do Estado reconhece nos criminosos uma estrutura de poder a obedecer e a socorrer-se diante das necessidades da vida, como alimentação e remédio. Portanto, a violência urbana é inflacionada pelo preconceito e o desamparo estatal.

Diante do acima exposto, faz-se urgente que o Governo Federal por meio do INCRA e do Ministério das Cidades formule a reforma agrária e urbana, a fim de possibilitar o acesso à terra e a moradia para os camponeses e moradores da periferia. O Ministério das Cidades deve realocar recursos fianceiros para a construção de escolas, postos de saúde, melhorias no transporte público, e assim garantir o acesso pleno aos direitos consitucionais necessários para pleno desenvolvimento dos cidadãos. Com tais medidas a violência urbana irá decair, pois o Estado fez-se presente.