Violência urbana no Brasil

Enviada em 30/05/2021

A teórica política alemã, Hannah Arendt, utiliza a expressão “Banalidade do Mal” para traduzir o formato trivial de instalação de problemáticas em sociedades contemporâneas. Essa perspectiva, analisada pela pensadora, simboliza claramente o comportamento da sociedade diante da violência urbana no Brasil, já que é justamente a habitualidade frente a esta forma de agressão e opressão que agrava e aprofunda no corpo social brasileiro. Nesse sentido, torna-se claro que essa situação tem como origem a ineficiência governamental no combate aos problemas de segurança pública. Assim, não só a desigualdade e vulnerabilidade, como também o número de mortos aprofundam o panorama.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a desiguldade e vulnerabilidade social presente nas comunidades carentes. Nesse contexto, o fenômeno Êxodo rural, que ocorreu no século XX, desencadeou o processo de marginalização das periferias devido a migração dos espaços rurais para os centros urbanos em busca de melhor qualidade de vida. Esse fenômeno ocasionou o inchaço urbano, não sendo possível oferecer os mesmos benefícios em questão de saúde, emprego e moradia pela falta de estrutura. Dessa forma, os grupos desprivilegiados, principalmente os jovens, buscam alternativas como a vida do crime que, consequentemente, estimula a violência.

Em consequência disso, surge a questão do alto número de mortes violentas que intensificam a gravidade do problema. Sendo assim, é observado que, de acordo com o artigo 3 da constituição brasileira, é um direito do cidadão ser incluso em uma sociedade livre, justa e solidaria. Entretanto, a realidade enfrentada pelos brasileiros é contrária ao seu direito, haja visto que 56,5 % de óbitos da População Economicamente Ativa (PEA) foram mortes violentas, de acordo com o Atlas da violência de 2018. Além disso, 70% das pessoas assassinadas são negras e pardas, ou seja, é um retrato da desigualdade social e racial.

O combate a liquidez citada inicialmente, a fim de conter  o avanço da violência urbana, deve tomar-se efetiva, posto que os conflitos estatais e sociais garantem a resistência do problema. Sendo assim, o Governo Federal em parceria com ONGs devem desenvolver programas sociais por meio de maior destinação de verbas, rigidamente fiscalizadas, para as instituições de saúde, segurança e educação. Tais programas sociais devem ser destinados para as populações carentes das periferias com o objetivos de oferecer oportunidades e segurança aos jovens. Dessa forma, em gerações futuras, a violência urbana será reduzida. Portanto, é preciso salientar que a falta de oportunidades e insegurança nas regiões perifericas cercam todo esse eixo temático.