Violência urbana no Brasil

Enviada em 23/06/2021

O filósofo Rousseau propôs que o homem é fruto do meio, isto é, a sociedade molda o comportamento individual. Nesse sentido, a violência urbana no Brasil é resultado de ações sociais, já que essa relaciona-se ao modo de vida que as pessoas são submetidas e as condições desfavoráveis por elas enfrentadas, como não só as desigualdades, mas também da intolerância precedida de abuso de força.

A princípio, a discrepância entre as realidades brasileiras gera sentimento de distanciamento de expectativas de acolhimento. Nessa circunstância, esse fato corrobora com o envolvimento na criminalidade e maior uso da força, sobretudo agindo com as próprias mãos(justiça), diante de um sistema visto por eles como falho e de descaso social, como abordado na série “Irmandade”, em que personagens “excluídos” socialmente atuam de maneira violenta em prol de equidade de tratamento. Logo, a diferença entre as realidades colabora com o sentimento de injustiças sociais, que leva os indivíduos a agirem segundo a violência, pois nela eles veem soluções.

Paralelo a isso, essa situação é acentuada com os confrontos armados, em que há uso impróprio de violência como resposta às manifestações populares ou ao crime. Nessa esfera, a obra “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramargo, retrata a utilização abusiva da força sob indivíduos fragilizados como forma de “controle” perante situações conflituosas, aproximando esse ato ao correto a ser seguido, ou seja, induzindo cada vez mais a violência e abuso de força como solução de desacordo e intolerância. Assim, as pessoas não só enxergam isso como “exemplo”, mas ainda incitam insatisfação com as injustiças ante a agressão.

Portanto, a violência urbana não pode ser parte de um país que visa ao progresso. Diante disso,  é dever do governo promover com efetividade os direitos aos cidadãos previsto no Constituição brasileira, de modo que a igualdade seja primordial nas relações coletivas, por meio do cumprimento das leis em que haja oferta de segurança, moradia e educação, de modo que as condições não sejam discrepantes e não exista revoltas entre os indivíduos, além de oferecer programas extracurriculares aos mais jovens, por exemplo de serviços comunitários, como meio de despertar emoções de amparo, evitando assim que o crime seja um caminho atrativo e viável, a fim de reduzir o desconforto dessa parcela social e controlar a violência. Ademais, o governo ainda, em parceria com os órgãos estaduais e municipais, deve punir aqueles que utilizam a violência de forma indevida, por meio do afastamento desses de ações sociais e os julgar perante a lei, de maneira que essa atitude não seja exemplo para a comunidade e nem desperte sentimentos de injustiça, a fim de que a violência não seja encarada como escolha.