Violência urbana no Brasil
Enviada em 07/10/2021
“A injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar”, Mart Luther King. Essa citação, apesar de ter sido dita em outra época, é atual e pode ser observada na violência urbana no Brasil. Dessa forma, a violência é fomentada, tanto pela ineficiência estatal, como também o injusto preconceito histórico.
Primeiramente, a ineficácia do Estado em garantir os direitos é um fator que implica na violência urbana. Nesse contexto, o escritor Gilberto Dimenstein, em sua obra “O Cidadão de Papel”, mostra o quão a legislação brasileira é ineficaz, pois na teoria é completa, mas na prática falha, assim, não garantido a toda a população o cumprimento do sexto artigo da Constituição Federal, que assegura a moradia e a segurança. Nessa perspectiva, houve aumento da população urbana, provocado pelo êxodo rural, e consequentemente a criação de comunidades na periferia, que concentram a parcela mais pobre da sociedade, pois não tiveram seus direitos sociais amparados. Desse modo, a ausência do Estado facilita a prática da violência nessas comunidades, que resulta no aliciamento de jovens para o tráfico de drogas e facções criminosas, que veem no crime a única forma de ascenderem economicamente. Assim, para resolver o problema da violência urbana é preciso agir na inclusão social dessas pessoas.
Ademais, o injusto preconceito perpetuado pela gerações é outro agravante da violência urbana. Nesse aspecto, a pessoa negra, no Brasil, sofre desde a colonização, em que os negros foram injustiçados e maltratados pela elite da conjuntura, e posteriormente alcançaram a “liberdade”, mas continuaram sendo vistos com preconceito e não foram amparados pela sociedade, uma vez que mais de setenta por cento das mortes violentas no país são negros, segundo o Atlas da Violência de 2018. Dessa maneira, é perceptível a permanência de um pensamento preconceituoso contra os negros, o que mostra a intolerância da sociedade com os negros e seus ancestrais, deixando de ver a contribuição histórica e cultural, e os colocando como o primeiro alvo da violência na cidade. Nesse sentido, é preciso mais empatia social com os negros, para desfazer esse injusto preconceito que gera violência.
Portanto, o Ministério Público deve criar políticas públicas que garantam de fato direitos sociais, com o objetivo de extinguir a violência urbana e incluir socialmente os mais pobres e os negros. Para isso, essas políticas contarão com a ajuda de ONGs e empresas para uma maior eficiência, em que as ONGs por meio de seus trabalhos mudarão o pensamento dos jovens em relação ao crime e as empresas contratarão os jovens dessas ONGs, com intuito de retirá-los da violência. Além disso, o Ministério da Educação deve disponibilizar nas redes sociais palestras que conscientizem contra o preconceito velado existente contra o negro para que essa injustiça seja extinta.