Violência urbana no Brasil

Enviada em 07/09/2022

“Quem mata mais ladrão ganha medalha de prêmio, o ser humano é descartável no Brasil.” Ao analisar este trecho da obra musical Diário de um Detento, do grupo Racionais, é notória a precariedade do sistema prisional nacional ao desprezar os direitos fundamentais dos cidadãos, uma vez que a realidade da nação brasileira diante as forças violentas do Estado, se sustentam a partir da cultura da necropolítica aplaudida pelo senso comum, e os alvos dos massacres diários da política da morte sendo fruto de preconceitos raciais estruturais.

Em decorrência disso, a cultura da força impiedosa frequentemente defendida pelas massas alienadas sustenta a recorrente violência urbana, tendo as milícias como principais responsáveis . O conceito de “ralé” da filósofa Hannah Arendt esclarece como o senso comum não se interessa pela crítica, e o diálogo, visto que defendem a barbárie a partir de falas como “Bandido bom é bandido morto”. Assim, a força conservadora do país interfere na transformação das potências militares em instrumentos do governo treinados para matar, aniquilando sua humanização.

Outro fator existente, é a inquietante discriminação racial das milícias, a necropolítica tem alvo e sua mira é racista. A repressão policial, ao adotarem a política da morte, selecionam os que devem morrer, em razão dos fatores históricos o simples fato de ser negro no Brasil intensifica as chances de ser uma vítima das forças armadas. De acordo com dados da pesquisa “Atlas da Violência 2021” a chance de uma pessoa negra ser assassinada é 2,6% superior do que a de uma pessoa não negra, comprovando o fato de que a marginalização racial é um aspecto evidente da permanência da violência urbana.

Logo, conclui-se que é irrefutável que mudanças devem ser feitas para extinguir os percalços abordados. Portanto, o MEC, Ministério da Educação responsável pelo sistema educacional brasileiro, deve elaborar palestras com profissionais nas escolas com pautas sociais, a fim de nutrir a humanização desde a base pedagógica e assim eliminar com a cultura da violência e do preconceito na sociedade brasileira.