Violência urbana no Brasil

Enviada em 04/11/2022

Eu, Maria, enquanto voltava do emprego fui abordada por dois homens em uma moto, além de levarem todos os meus pertencentes, me ameaçaram apontando uma arma para minha cabeça. Essa narrativa, apesar de fictícia, demonstra ser bem verossímil ao relatar a criminalidade cada vez mais frequente nos centros urbanos. Posto isso, esse cenário de violência deve-se, principalmente, pela ineficiência dos presídios brasileiros e pela alta desigualdade social.

Sob esse viés, é importante perceber que o sistema penitenciário se tornou uma verdadeira “escola do crime”. Nesse sentido, no documentário da Netflix “Por dentro das prisões mais severas do mundo”, o jornalista ao entrar na prisão de Porto Velho depara-se com uma realidade de abandono, a qual se caracteriza pela superlotação, pela infraestrutura precária e pelo controle do crime organizado sobre o local. Diante disso, fica evidente que esse ambiente não possui o incentivo adequado do Estado para promover ressocialização dos presos, que ao saírem desse local retornam as facções e, consequentemente, a criminalidade.

Outrossim, a crescente exclusão social que limita população pobre do acesso ao emprego e à serviços públicos de qualidade agrava a violência urbana existente. Posto isso, para Ariano Suassuna o Brasil apresenta características de dois países: o país dos privilegiados e o país dos “despossuídos”. Dessa forma, a insegurança urbana como é retratada no Atlas da violência, o qual afirma que o número de homicídios no país superou a faixa dos 60 mil, está intimamente ligada a alta taxa de pobreza, visto que famílias inteiras “despossuídas” de direitos sofrem com a fome e com o desemprego, encontrando no crime a única maneira de sobreviver.

Dessarte, é mister que o Estado - órgão responsável pela manutenção da ordem social - aprofunde os programas de transferência de renda já existente e promova obras e reformas nos presídios brasileiros, por meio de um diálogo com o congresso com o intuito de aumentar a quantidade de verbas do orçamento federal destinado a essas áreas. Tudo isso, a fim de reduzir a desigualdade social existente e garantir um ambiente adequado para a ressocialização dos presos. Assim, evitando, que casos como o de Maria se repitam e que a população tenha maior segurança ao andar pelas cidades.