Violência urbana no Brasil

Enviada em 13/04/2024

“Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer com tanta violência eu sinto medo de viver,pois moro na favela e sou muito desrespeitado,a tristeza e a alegria aqui caminham lado a lado…”. Essa letra musical,cantada por Cidinho e Doca, retrata o cenário de muitos brasileitos: insegurança, desrespeito,tristeza e abandono.Isso se deve à segregação das populações mais pobres, bem como a omissão estatal.

Primeiramente, vale destacar que o esquecimento da população mais vulnerável fomenta a violência urbana no país. Nesse contexto, Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Medo Líquido”, que parte da população é esquecida pelo Poder Público e,assim, ocorrendo o que se denomina “morte em terceiro grau”, segundo o qual o indivíduo está de corpo presente na sociedade, porém ela não o enxerga como cidadão e ignora suas necessidades básicas. Nesse cenário,a supressão dos mais necessitados faz com que direitos sociais como educação, infância, trabalho e lazer se distanciem da realidade dessas pessoas. Devido a isso, os jovens das periferias tem crescido cada vez mais acostumados com a pobreza e a desigualdade social, fatores que os levam ao aliciamento com tráfico e a criminalidade como meios de fuga dessa realidade, aumentando a violência urbana.Logo, faz-se necessário rever as políticas públicas referentes as comunidades periféricas.

Ademais, a ausência de políticas públicas direcionadas ao combate a violência urbana faz perpertuar a temática. Nessa perpectiva, Norberto Bobbio, expoente filósofo italiano, afirma que as autoridade devem não apenas ofertar os benefícios da lei, mas também garantir que a população usufrua deles na prática. Sob a lógica de Bobbio,a segurança pública, mesmo sendo um direito social constitucional,não é garantido na prática, haja vista o elevado número de mortes violentas no país, são 19,4 mortes por 100 mil habitantes, em 2023 , segundo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Além do mais, a desigualdade social, no atual cenário brasileiro,revela que a maioria dos jovens mortos violentamente são negros ou pardos, de acordo com o Atlas da violência de 2018. Desta maneira, os benefícios da lei é, na maioria das vezes, a uma parcela da população, no entanto, assim como um cãncer a violência acaba se espelhando por todo o corpo social,não escolhendo