Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira

Enviada em 29/09/2019

A obra naturalista “O Cortiço” de Aluísio Azevedo retrata um panorama, em que o português João Romão, em parceria com a escrava Bertoleza, constroem um cortiço, que logo foi habitado por inúmeras pessoas de diversas etnias em um restrito espaço. Fora da ficção imaginada por Aluísio Azevedo, hodiernamente o cenário é ainda mais alarmante, a precária urbanização impulsiona a violência urbana, que pode gerar consequências irreparáveis a sociedade. Desse modo, cabe avaliar as causas, bem como os prejuízos sociais dessa problemática.

A priori, é imprescindível analisar o que motiva esse problema a acontecer. Durante a Era Vargas, o Brasil estava afundado em uma crise cafeeira, para amenizar isso, Getúlio precisou investir em setores da indústria que o capital privado não destinava dinheiro, nesse período, além de Vargas criar diversas estatais, foi elaborada a Companhia Siderúrgica Nacional. No entanto, apesar de reduzir a crise, esse incentivo a industrialização forçou o processo de êxodo rural, que precarizou a urbanização. Devido a isso, as pessoas com péssima situação de moradia e baixa assistência governamental, realizaram crimes para melhorar sua condição, resultando no aumento da violência urbana. Logo, é notável que a urbanização, feita de uma forma errada, intensifica agressões sociais.

A posteriori, compete verificar as consequências causadas por esse tema. Segundo dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), entre 1980 e 2012 a taxa de homicídios a cada 100 mil habitantes quase triplicou. Isso, em grande parte, foi causado pela industrialização e a má política de urbanização dos presidentes que vieram após a ditadura civil-militar, com fim na década de 1980. Dessa forma, torna-se evidente que a violência urbana trás consequências irreparáveis a sociedade brasileira.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Para reduzir o processo desenfreado de êxodo rural, urge que o Legislativo crie leis específicas para reduzir os latifundiários, bem como os fatores atrativos das cidades, por meio de políticas que amenizam os fatores repulsivos do campo, visando reduzir a entrada de pessoas nas cidades. Além disso, compete ao Ministério da Justiça, a criação de equipes especializadas no combate a violência urbana e homicídios, objetivando reduzir os índices de mortalidade, isso seria feito por meio de pessoas treinadas que, posicionadas em locais estratégicos nas cidades, podem interferir, sem o uso de violência, em situações de hostilidade. Somente assim, reduziria-se as agressões urbanas, bem como as taxas de mortalidade.