Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira

Enviada em 20/09/2019

O filme “Cidade de Deus”, do diretor Fernando Meirelles, chocou o público em 2002, ao retratar uma sociedade marcada pela violência urbana e pelas graves consequências oriundas desta. De maneira análoga, hodiernamente, a realidade brasileira evidencia um preocupante aumento dos índices de criminalidade, o que evidencia a ineficácia das atuais medidas de enfrentamento. Assim, é imprescindível o debate acerca de políticas públicas direcionadas e das práticas de prevenção.

Em primeira análise, é indubitável que a violência representa todo comportamento capaz de causar dano à integridade física ou psicológica da vítima. Nesse sentido, segundo dados da OMS – Organização Mundial da Saúde – publicados em 2018, o Brasil é o nono país mais violento do mundo, com uma taxa de homicídio até cinco vezes maior que a média mundial. Com efeito, a conjuntura brasileira, tão retratada em jornais e programas de televisão, é marcada por uma população assustada e tolhida dos seus direito fundamentais como à vida, à segurança e à liberdade de ir e vir.

Em segundo plano, a causa desse cenário atual perpassa por uma série de fatores, como a ausência de planejamento dos grandes centros, a escassez de recursos destinados ao policiamento e, principalmente, carências no sistema educacional. Nesse diapasão, Gilles Lipovetsky, filósofo francês, assevera que a solução de problemas sociais, incluindo a violência, reside numa educação global e interdisciplinar, capaz de fomentar uma melhor compreensão do mundo e das relações sociais. Dessa forma, a tratativa de combate à violência transcende os mais variados ambientes, sendo premente a sua reformulação.

Evidencia-se, portanto, a necessidade da discussão sobre o desafio de combater a violência urbana no país. Por conseguinte, impende que o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em ação conjunta com o Ministério da Educação, promova oficinas educativas em escolas e universidades, por meio de palestras e saraus, com a presença de sociólogos, representantes das forças policiais e urbanistas, com o fito de evidenciar a importância da contextualização da violência como ferramenta de enfrentamento. Outrossim, é imperioso a transmissão desses projetos através das redes sociais, buscando o engajamento da sociedade civil. Dessa maneira, a violência poderá ser mitigada, e o Brasil demonstrado no filme tornar-se-á apenas a realidade de outrora.