Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira
Enviada em 26/10/2019
“Eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo, Sem saber o calibre do perigo, Eu não sei d’aonde vem o tiro”. O trecho da música intitulada como “calibre” da banda Paralamas do Sucesso pode atuar como relato de inúmeras pessoas que vivem a mercê da violência nas cidades. Tal problema tem raízes ora na desigualdade social acentuada no país, ora na ineficácia da segurança pública.
Partindo dessa análise, a discrepância socioeconômica é fator determinante para a violência urbana. Com origem no êxodo rural, acentuado na segunda metade do século XX, as pessoas migraram aos centros urbanos esporadicamente, contudo as metrópoles não possuíam suporte para abrigar tamanho aglomerado, o que facilitou o surgimento das regiões mais abastardas. Em virtude dessa situação, ocorreu a divisão “centro/periferia” em que aquele é caracterizado pelo desenvolvimento e esse por precárias condições de vida. Na medida em que as regiões periféricas detêm de menos oportunidades de emprego, escolas com ensino deficitário, circunstâncias insalubres; a marginalidade ganha vigor.
Além disso, a negligência do Estado em relação à políticas públicas corrobora o impasse. Mesmo que o policiamento tente conter e atenuar os índices de criminalidade, ela persiste, já que, segundo Michel Foucault, as relações de poder envolvem um sistema de ideias que possibilitam resistência, ou seja, na medida em que há autoridade, há relutância. Sendo assim, a atuação da força policial é, por vezes, eficiente, porém, ainda falha. De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) do estado, entre 2016 e 2017, índices de crimes como homicídios e roubos de cargas e veículos subiram nas favelas cariocas.
Dessa forma, medidas são necessárias para mitigar o entrave. O Estado deve promover melhorias na qualidade de vida do jovem suburbano, por meio da implementação de programas sociais que tenham como base o incentivo à práticas esportivas, visto que o esporte é um grande aliado na retirada do jovem da marginalidade, além disso o Ministério da Educação e da Cultura devem incitar projetos interdisciplinares e culturais nos institutos educacionais periféricos, a fim de que o adolescente vislumbre um mundo aquém do espaço no qual se encontra para que tenha uma percepção de futuro e, assim, trace um novo caminho longe da criminalidade. Talvez, com tais medidas, trechos como da música de Paralamas de Sucesso não refletirão mais a realidade da população brasileira.