Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira

Enviada em 29/02/2020

A violência urbana está presente entre os aspectos que mais atingem a vida dos cidadãos brasileiros. Definida como uma série de práticas prejudiciais - que inclui assaltos, agressões e homicídios nas cidades -, tal ocorrência afeta diretamente o cotidiano dos indivíduos que vivem no Brasil e que se sentem inseguros ao precisarem sair de casa. Esse tipo de incidente se propaga, sobretudo, por conta da desigualdade social - que incentiva a criminalidade - e do enfrentamento equivocado do Estado, por meio de métodos pouco eficazes, que podem piorar a situação.

Primeiramente, é preciso explicitar que o fenômeno de Êxodo rural, que ocorreu no fim do século XX, contribuiu para uma maior concentração da população no ambiente urbano. No entanto, a infraestrutura das cidades não acompanhou tal inchaço e, por consequência, não produziu progressos suficientes que garantissem o acesso de todos a empregos, saúde, educação e etc. Dessa forma, houve marginalização dos grupos mais pobres nos bairros mais periféricos - que são pouco contemplados pelo alcance da segurança pública -, demonstrando uma forte desigualdade social como impulsionadora da violência urbana.

Consequentemente, há uma tentativa do Estado de combater tais levantes criminosos e violentos, mas os métodos usados para isso são mais prejudiciais que benéficos. A exemplo, houve a Intervenção Federal realizada no Rio de Janeiro a partir de fevereiro de 2018, em que as Forças Armadas invadiram comunidades com o intuito de combater o tráfico e a violência. Todavia, os resultados foram contrários: segundo o jornal O Globo, o número de mortos em tiroteios no Rio de Janeiro aumentou em 37% e, em contrapartida, a apreensão de armas caiu. Logo, torna-se visível que o verdadeiro foco do problema não está sendo combatido, e, por tabela, está aumentando o número de assassinatos, especialmente da população negra, que representa ⅔ dos mortos por ações violentas.

Portanto, com o objetivo de diminuir as disparidades sociais e, assim, a violência urbana, é necessário que o Governo Federal elabore programas sociais mais amplos, que invistam em levar postos de trabalho, instituições de saúde, segurança e educação de qualidade às periferias, por meio de maior destinação de verbas para esse fim e dura fiscalização da aplicação desses investimentos. Desse modo, oferecendo oportunidades e proteção às pessoas, a violência urbana cairá gradativamente e as repressões das Forças Armadas se tornarão dispensáveis, construindo um Brasil  mais digno e inviolável.