Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira
Enviada em 25/05/2020
Foi a partir do êxodo rural e do consequente crescimento urbano desordenado entre décadas de 50 a 70 no Brasil que se configurou um dos principais problemas atuais das grandes cidades: a violência. Isso porque a infraestrutura desses locais não acompanhou tal inchaço e não produziu progressos suficientes que garantissem o acesso de todos a condições de vida satisfatórias. Desse modo, ocorreu marginalização dos mais pobres nos bairros periféricos, os quais se tornaram focos de práticas violentas, devido à desigualdade social e à carência de serviços públicos. Logo, é necessário analisar esses fatores, a fim de encontrar meios de se vencer a problemática em questão.
A priori, aponta-se que, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o aumento de 1% na taxa de desemprego eleva os índices de homicídios do país em 1,8%. Nesse ponto, observa-se que, ao contrário do que se pode pensar, não é a pobreza, essencialmente, o que impulsiona a crimes de violência como esse, mas sim o contraste entre ela e a riqueza. Isso porque, nas cidades, é evidente a discrepância entre as condições das classes mais altas e das mais baixas. Consequentemente, essa disparidade resulta em grande insatisfação por parte da população de baixa renda, a qual não conta com as possibilidades de consumo ou de ascensão econômica no mercado de trabalho.
Outrossim, convém destacar o papel da educação no combate à criminalidade e, dessa forma, à violência urbana. No tocante a isso, segundo o educador Paulo Freire, “se a educação sozinha não muda a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Consonante a essa ideia, entende-se que, à medida em que as taxas de escolaridade aumentam e são formados indivíduos capacitados intelectualmente, mais facilmente eles irão se inserir no meio acadêmico e/ou no mercado de trabalho. Logo, evitar-se-á que optem pela criminalidade como forma de sustento. Prova disso é que, segundo pesquisas da Universidade de São Paulo (USP), para cada investimento de 1% em educação, 0,1% do índice de criminalidade é reduzido.
Portanto, urgem medidas de combate à violência nas cidades. Assim, o Estado deve promover a igualdade de condições entre a população, por meio de uma reforma tributária, com a aplicação de impostos proporcionais à renda de cada família, além de investir na infraestrutura de bairros periféricos, a fim de que a discrepância entre a pobreza e a riqueza nos centros urbanos não seja tão contrastante. Ademais, é preciso que o Ministério da Educação fortifique a atuação das escolas e dos centros socioeducativos, com o aumento de verbas direcionadas ao setor, para que os estudantes tenham melhores perspectivas de vida e não enxerguem o crime como único meio de ascensão social. Assim, poder-se-á garantir a segurança da população e a diminuição dos índices de violência urbana no Brasil.