Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira
Enviada em 26/05/2020
Na obra “Utopia” de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o enfrentamento à violência urbana no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Isso posto, esse cenário antagônico é fruto tanto do sucateamento das escolas, quanto da falta de educação familiar. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que o abandono escolar deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o filósofo inglês Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Nesse contexto, devido à falta de atuação das autoridades, o descuido das escolas públicas implica uma educação de baixa qualidade, ademais, as escolas, muitas vezes, não ensinam de maneira adequada, o básico para viver bem em sociedade, sem violência física, oral e psicológica, causada pelo bullying e pelo desprezo. Desse modo faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Além disso, é imperativo ressaltar a falta da educação familiar como promotora do problema. De acordo com Émile Durkhein, a família é o mecanismo primário de socialização. Partindo desse pressuposto, as brigas internas e externas das famílias e o mal convívio dentro de casa, assim como, a falta de ensinamentos concedidos pelos pais, faz com que os indivíduos cresçam, frequentemente, arrogantes e egoístas, fazendo assim, o uso da violência sem pensar no próximo. Portanto, algumas atitudes tomadas pelas famílias e pelo governo podem ser consideradas antiéticas - atitudes definidas por Aristóteles como ações que não buscassem o bem comum - pois não visam o melhor para o combate às agressões, que afetam inúmeras pessoas.
Em vista disso, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Destarte, com o intuito de mitigar a falta de cuidados em relação à violência nas escolas, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido em melhorias nas escolas, por meio da revitalização desses espaços - com mais livros que combatam a violência, mais cuidados com o bullying e mais ajuda dos professores nesse tema. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do problema, e a coletividade alcançará a Utopia de More.