Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira
Enviada em 11/06/2020
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles.” Essa afirmação da filósofa existencialista Simone De Beauvoir pode servir de metáfora à violência urbana enfrentada no Brasil, uma vez que, por mais escandalosa que seja essa situação, poucos são os esforços destinados a resolvê-la. Assim, torna-se imprescindível discutir sobre o tema a fim de minimizar os fatores motivacionais.
A princípio, é fundamental analisar as condições socioambientais dos brasileiros. Nesse prisma, de acordo com o psicanalista Freud, o ser humano se configura como um sintoma social, refletindo em seus hábitos aspectos de seu cotidiano. Dessa forma, crianças que vivem em ambientes conflituosos tendem a manter esse comportamento no decorrer de sua vida, prejudicando-as, principalmente, no ambiente social. De tal maneira, a escola deve trabalhar mutuamente com as famílias, alertando os alunos sobre os impactos físicos psicológicos ocasionados pela violência.
Ademais, é imprescindível ressaltar, para além dos aspectos psicológicos, o descaso educacional com diretrizes básicas do ensino. Nesse viés, segundo o filósofo e pedagogo Paulo Freire, a educação deve formar indivíduos críticos capazes de interagir socialmente. Entretanto, a educação brasileira é focada apenas em cumprir a carga horária curricular, suprimindo o ensino de questões éticas básicas, como o respeito. Com isso, os alunos por falta de orientações essências para o convívio, acabam ficando à mercê de práticas rudimentares, como a violência.
Sendo assim, medidas são necessárias para atenuar essa questão. Por conseguinte, urge que as escolas promovam um maior contato com as famílias dos alunos, por meio de reuniões semanais e visitas em domicílio, fortificando, assim, a promoção de ambientes mais saudáveis para os jovens, e impactando positivamente em seus hábitos escolares e sociais. Concomitantemente, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), promover uma reflexão dos estudantes sobre a violência, mediante a inserção no currículo estudantil de matérias que os ensinem sobre os princípios básicos sociais, garantindo, consequentemente, a diminuição do mau comportamento. Dessa maneira, esse escândalo deixará de afligir a sociedade brasileira.