Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira

Enviada em 04/07/2020

O filósofo contratualista Thomas Hobbes ressalta em sua obra que antes do Estado Civil, os homens viviam em um ambiente de guerra, de todos contra todos. Isso sintetiza a realidade urbana brasileira dos últimos anos, no qual, o país se tornou o nono mais violento do mundo, registrando em média por ano, mais de 60 mil homicídios. Logo, fica clara a necessidade do combate efetivo a essa problemática social, com o objetivo de combater os vetores dessa epidemia nacional.

A priori, segundo uma reportagem publicada no portal de notícias G1, no ano de 2019 foram registrados 62 mil homicídios no Brasil, sendo que desses, mais de 60% eram jovens de 12 a 29 anos, negros, pobres e moradores das periferias. Esses dados refletem o cenário da violência urbana no país, no qual, em grande maioria as vítimas são consideradas efeitos colaterais de desastrosas ações policiais, como a registrada no Rio de Janeiro, no início de 2020, que vitimou o menino Pedro de 14 anos.

Outrossim, a ingerência do Estado é outro fator que corrobora para esse desequilíbrio social, convergindo para um cenário de insegurança constante. Como exemplo disso, o Ministério Publico Federal estima que mais de 80% das cidades brasileiras não possuem efetivo policial suficiente no combate ao crime, e além disso, menos de 10% dos homicídios são elucidados no Brasil conforme relatório apresentado por esse órgão. Tais fatos, denotam que o sistema de segurança publica acaba “enxugando gelo” ao tentar proteger e dar uma resposta à sociedade quanto aos crimes cometidos por milícias, facções e até mesmo políticos.

Portanto, fica clara a necessidade do combate efetivo a violência urbana no Brasil. Para isso, é preciso que os estados em conjunto com as ONGs, busquem desenvolver programas sociais nas periferias, como por exemplo o projeto social Evolua, desenvolvido em uma favela de São Paulo, no qual buscam afastar os jovens do mundo do crime através da educação. Somado a isso, os governos estaduais precisam abrir novos concursos para corrigir o deficit do número de policiais, peritos e escrivães. Também, é de suma importância que criem e estimulem treinamentos mais específicos para ações policiais em áreas periféricas, a fim de evitar incidentes como ocorrido com o menino Pedro. Somente assim será possível corrigir essa anomalia social grave.