Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira

Enviada em 28/07/2020

De acordo com Émille Durkheim, sociólogo francês, o estado de anomia seria uma condição a qual a sociedade estaria desregulada ou na ausência de normas, o que formaria um grande caos. De maneira análoga à teoria de Durkheim, a crescente violência no espaço urbano brasileiro – reforçada pela ausência do Estado, configura-se como característica semelhante à ideia exposta pela teoria, o que causa sérias dificuldades de convivência nas cidades. Dessa forma, analisar o cenário atual faz-se necessário para mitigar tal problemática.

Primeiramente, é válido destacar a falta de efetividade das ações estatais em áreas periféricas das malhas urbanas como pilar para o impulso da violência. Sob essa ótica, os olhos fechados das autoridades governamentais para problemas como a desigualdade social e a falta de infraestrutura educacional e sanitária, promove o cenário ideal para o controle e o fortalecimento de milícias e facções nos locais habitados pela população menos favorecida. Tal afirmação comprova-se com o exemplo da Facção denominada PCC - Primeiro Comando da Capital, a qual mantém o controle e o fornecimento de serviços como internet e energia nas periferias de cidades como São Paulo, o que deixa claro a necessidade da reestruturação desse cenário.

Em segundo plano, é preciso levar em consideração os efeitos gerados por tal caos urbano. Nesse contexto, os altos índices de violência nas cidades do país refletem-se no grande número de jovens assassinados, em especial a população negra, a qual é marginalizada e cercada pelo racismo estrutural no Brasil - fruto de um processo escravista durante séculos, pois segundo dados do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2017 a taxa de homicídios dessa população chegou a mais de 63%. Logo, tal quadro revela a necessidade urgente de combate a essa mazela, bem como medidas de proteção a vida desses grupos mais vulneráveis.

Fica evidente, portanto, que a macroestrutura social brasileira encontrasse como fator limitante para a diminuição da violência urbana no país. Dessa forma, é preciso que o Estado adote medidas para o controle desse entrave, desenvolvendo, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, ações que promovam a pacificação dos locais de vulnerabilidade nas urbes, como a instalação de postos policiais, rondas e, também, projetos de inclusão social e de infraestrutura, buscando corrigir a ausência governamental e assim, diminuindo as estatísticas acerca da violência nesses espaços. Dessa forma, somente assim a violência urbana deixará de ocupar o reflexo da anomia na sociedade brasileira hodierna.