Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira

Enviada em 21/08/2020

Na concepção de Andrew Schneider, a violência é uma questão de poder, visto que as pessoas se tornam violentas quando se sentem impotentes. Nessa lógica, analisando o contexto atual brasileiro, é evidente que a violência urbana — em constante crescimento — pode ser explicada pelos seguintes fatores externos: a ineficiência da segurança pública e a segregação social, os quais impedem uma sociedade pacífica e segura.

É válido retratar, em primeira análise, de que forma a incompetência do sistema de segurança do país impacta no aumento da violência. Segundo o Contrato Social — proposto pelo contratualista John Locke —, cabe ao Estado fornecer medidas que garantam o bem-estar coletivo. No entanto, a maioria dos brasileiros se encontra em um cenário de extrema violência e crimes expostos, visto que há um déficit considerável na fiscalização policial. Dessa forma, infratores da lei sentem-se seguros para cometer cada vez mais crimes, enquanto a população sofre com essa realidade.

Cabe considerar, em segunda análise, a segregação social — evidenciada como uma característica da sociedade brasileira, por Sérgio Buarque de Holanda, no livro “Raízes do Brasil”. De fato, o Brasil é marcado pela desigualdade e exclusão de determinada parcela da população, o que contribui para o desvirtuamento dos indivíduos afetados por esses fenômenos. Desse modo, a marginalização desse conjunto populacional abre margens para a entrada desses na criminalidade, como forma de sobrevivência, gerando o aumento da violência urbana.

Mediante o exposto, pode-se concluir que são necessárias políticas públicas de segurança mais eficientes no Brasil, de modo a cumprir os direitos da Constituição Federal de 1988. Logo, é dever do Ministério da Justiça aumentar a fiscalização nos municípios brasileiros, por meio da inserção de um maior número de patrulhas policiais durante o período do dia e, principalmente, da noite. Além disso, é importante que os prefeitos municipais criem projetos sociais em locais bastante afetados pela violência, voltados para a ajuda e conscientização da parcela mais vulnerável, objetivando a decadência do número de indivíduos inseridos na vida criminal. Espera-se que, a partir dessas medidas, a população possa ter a certeza da segurança, de modo a desconstruir a ideia criada por Andrew Schneider.