Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira
Enviada em 30/09/2020
Durante a segunda metade do século XX, o Brasil sofreu o êxodo rural, fenômeno no qual o homem do campo migrou para a cidade em busca de condições melhores de vida. Dessa forma então, ocorreu uma urbanização precoce. Tal fator gerou um processo de objetificação das pessoas, posto que elas foram submetidas a rótulos que as caracterizavam como desempregadas e marginalizadas.Sendo assim, essa população se viu forçada transmigrar para periferias, lugar que possui um ambiente violento, dado que esse local foi originado da exclusão socioeconômica ,a qual é fruto da atuação da classe dominante, isto é, o Estado. Nesse sentido, percebe-se que o sistema governamental regente no Brasil, ou seja, o capitalismo contribui com a violência urbana. Outro aspecto importante é a banalização que se tem da brutalidade presente na cultura brasileira.
De início, é relevante destacar que o capitalismo desencadeia diversas formas de fragmentação, as quais reforçam a exclusão social e econômica, juntamente com o fortalecimento das desigualdades. Desse modo, tem-se a indução a violência e a criação de esteriótipos, já que as relações sociais contemporâneas se respaldam no vínculo entre o capital e o trabalho. Nesse contexto, conforme Karl Marx, fundador da sociologia crítica, a miséria é utlizada como um instrumento pelas classes dominantes. Dessa maneira, evidencia-se que as camadas privilegiadas identificam as características daqueles que possuem uma condição econômica pior e adquirem mecanismos para manter a relação de dominação.
Outrossim, cabe ressaltar que a banalização dos atos de agressão é alimentada pela indústria do lazer e da cultura. Tal fator pode ser percebido no filme nacional “Uma quase dupla”, em que uma série de assassinatos começa a ocorrer na cidade de Joinlândia, o que faz com que os policiais Cláudio e Keyla tenham que se juntar para investigar o que estava acontecendo. No entanto, o que era para ser abordado com seriedade, na verdade, é tratado comicamente pelos protagonistas, tendo em vista que eles se divertem com a sua falta de química e descompasso de pensamentos.Dessa forma, tem-se uma normalização da violência, uma vez que a agressividade é utilizada como entretenimento.
Assim sendo, conclui-se que a estrutura de dominação capitalista e a trivialização da violência possuem grande influência na disseminação da ferocidade no Brasil. Portanto, é necessário que o governo invista na educação, por meio da criação de projetos sociais que tenham como objetivo a criação de novas escolas, a fim de que todos possuam acesso ao conhecimento, seja ele social ou acadêmico. Para que assim, ocorra o rompimento do processo de soberania da classe dominante e a não propagação da mediocrização da brutalidade.