Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira

Enviada em 13/01/2021

Na visão do filósofo Hobbes, em sua Teoria Contratualista, o Estado e a população deveriam fazer um contrato social para que ambos pudessem desenvolver a segurança, visto que “o homem é o lobo do homem”. Analogamente, nos dias atuais, mediante o pagamento de impostos, os brasileiros esperam que o governo garanta a proteção de todos. Contudo, essa não é a realidade do Brasil devido à violência urbana. Sob essa ótica, compreender esse cenário é substancial para a promoção de resoluções, uma vez que a intolerância contra minorias e a imoralidade policial são notadas.

É preciso considerar, antes de tudo, que o crescimento desordenado das cidades fez com que pessoas distintas vivessem próximas. Entretanto, em muitos casos, esse convívio não é pacífico, dado que uma parcela do corpo social é alvo de hostilidades. Nesse sentido, os afrodescendentes, os periféricos, as mulheres, dentre outros, são os que mais sofrem com essas opressões. Prova disso é que, segundo o site “Nexo”, 75% das vítimas de homicídio no Brasil são pessoas negras. Esse contexto se relaciona com a “Alegoria da Caverna” do filósofo Platão, o qual salienta que a incorporação do senso comum, por parte do indivíduo que não conhece o diferente, proporciona a falta de empatia. Por essa razão, há a necessidade da mudança de concepções da sociedade para sanar tal problemática.

É válido ressaltar, ainda, o Artigo 2 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que ratifica a liberdade de viver sem discriminação, independentemente da cor, do sexo, da religião ou outros. No entanto, tais direitos, os quais deveriam ser legitimados pelos órgãos de segurança pública, são violados pelos agentes civis e militares. Tal conjuntura é ilustrada pelos dados do site “G1”, o qual destaca que houve mais de 6 mil mortes, em 2018, causadas pelos policiais. Esse contexto, em consonância com o “Contrato Social” do filósofo Rousseau, o qual salienta que o Estado deve manter, por meio do poder, as regras e as vantagens iguais a todos, demonstra a urgência de intervenções governamentais para alterar essa mazela social.

Evidencia-se, portanto, que a crueldade nos centros urbanos é consequência de inúmeros fatores. Para contrapor as situações, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em ação conjunta à mídia, elucidar as famílias quanto à importância de reconhecer as diferenças dos cidadãos, por meio de informativos transmitidos nos programas televisivos, a fim de incentivar o respeito e garantir limites entre a população. Outrossim, o Ministério da Justiça deve afastar os policiais que trazem risco à segurança do país, por intermédio da implantação de canais de denúncias anônimas para acusações de abuso de poder, com a finalidade de obter o bem-estar social. Destarte, será possível conter tais impasses, na medida em que a administração pública seguirá o legado de Hobbes.