Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira

Enviada em 27/03/2021

O filme “Cidade de Deus”, de 2002, aborda a vida marginalizada de jovens carentes em uma comunidade do Rio de Janeiro. Fora das telas, na realidade, viver às margens da sociedade é estar também em constante contato com a violência. Nesse viés, a violência urbana é um desafio a ser enfretado pela sociedade por conta de diversas causas, entre elas, a disparidade socio-econômica e a urbanização desplanejada nas grandes metrópoles.

Em primeiro plano, cabe ressaltar a grande desigualdade social induzida pela má distribuição econômica como fator de tal cenário. Conforme preconizado pelo filósofo Rousseau, as desigualdades entre as pessoas baseiam-se na noção de propriedade privada e a necessidade de um superar o outro, numa busca contínua de poder e riquezas, para subjugar os seus semelhantes. Nesse sentido, a marginalização social alicia a práticas de crimes, como, ingresso de jovens ao tráfico de drogas, por promover dinheiro de forma rápida e, até mesmo, furtos de alimentos e bens materiais para sustento próprio, por falta de emprego. Dessa forma, a ineficiência do Estado é presente, já que muitos indivíduos não tem acesso à educação e empregos formais, sendo, inclusive, direitos básicos.

Outrossim, a urbanização desorganizada em grandes cidades brasileiras, é outra causa. Sob esse viés, a partir do processo de industrialização no século XX, o êxodo rural foi intensificado. Assim, o deslocamento de pessoas provindas da zona rural para a área urbana corroborou em um desplanejamento nas cidades, pois, as assistências do governo não eram suficientes para atingir o grande contingente populacional que havia surgido. Dessa forma, o acesso à educação, saúde, moradia e alimentação de boa qualidade se restringia àqueles com poder de compra enquanto os menos favorecidos dependiam do pouco que o governo municipial ofertava, situação, a qual, contribuiu para o aumento da violência urbana, pois, constituía-se então, o primórdio das disparidades sociais.

Portanto, dado o exposto, medidas são necessárias para atenuar os fatores abordados. Cabe ao governo Federal o repasse de verbas aos governos Estaduais e Municipais e, estes últimos, devem utilizar os investimentos para construção de escolas públicas em áreas desfavorecidas, a exemplo, comunidades e cidades interioranas, no fito de ampliar a rede de educação em locais carentes. Ora pois, consoante a Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa para se mudar o mundo. Além disso, os governos municipais devem abrir novos postos de trabalho endereçadas, exclusivamente, à pessoas de baixa renda, no intuito de diminuir os índices de desemprego nas cidades. A partir dessas propostas, talvez, a violência urbana que permeia no corpo social, futuramente, será apenas fictícia.