Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira
Enviada em 08/05/2021
Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da “modernidade líquida”, vivenciada durante o século XX. Analisando o pensamento de Bauman, essa realidade imediata perpetua-se com o aumento da violência urbana no Brasil. Dessa forma, percebe-se que essa problemática persiste pelo crescimento acelerado e desordenado das cidades, como também a interferência da violência policial nos índices.
Conforme Michel de Montaigne, um filósofo e humanista francês, a mais honrosa das ocupações é servir o público e ser útil as pessoas. No entanto, de maneira análoga ao pensamento filosófico, a atuação produtiva à sociedade encontra-se distante no país, visto que o fenômeno de Êxodo Rural, que ocorreu no século XX, contribuiu para uma maior concentração da população no ambiente urbano. Conquanto, a infraestrutura das cidades não acompanhou tal inchaço e, por consequência não produziu progresso suficiente que garantissem o acesso a todos empregos, saúde e educação. Dessa forma, houve marginalização das pessoas necessitadas em áreas periféricas, que possuem moradias desmazeladas e pouco contempladas pelo alcance da segurança pública, demonstrando o forte despreparo e a desigualdade social como impulsionadores da violência urbana no país.
Cabe ressaltar que a criminalidade e a violência são frutos do enfraquecimento do artifício de coerção direta do Estado: a polícia. Contudo, embora seja necessária, estatísticas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que a polícia brasileira é a que mais mata, chegando a dizimar 6 pessoas por dia no período de 2009 a 2013, alcançando o número total de 11.197 mortes. O número conta de execuções sumárias e as mortes em conflito armado. Em paralelo a isso, os dados dos índices de violência aumentaram segundo o Mapa da Violência de 2014, que traça um panorama sobre a evolução dessas agressividades no país. Sendo assim, observar-se que a baixa remuneração, a ausência de investimentos na formação, na inteligência, e nas informações dos agentes policiais contribuem para a desqualificação da força policial como remediadora desse panorama.
O combate a liquidez citada inicialmente, a fim de conter o avanço da violência urbana, deve tomar-se efetiva. Sendo assim, o Governo Federal deve elaborar programas sociais mais amplos que invistam energicamente em levar pontos de trabalho, instituições de saúde, segurança e educação de qualidade às periferias, por meio da maior destinação de verbas para esse fim e dura fiscalização desse investimento. Desse modo, oferecendo oportunidades e proteção às pessoas, a violência urbana cairá gradativamente e repressões das Forças Armadas se tornarão dispensáveis, com o intuito de consolidar a harmonia e amenizar a presença dessa violência na sociedade brasileira.