Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira
Enviada em 03/05/2021
O filme “Cidade de Deus” retrata a realidade vivida por uma comunidade dominada pelo crime no Rio de Janeiro, sob a perspectiva de Buscapé, um jovem negro que busca desvencilhar-se das mazelas sociais do ambiente. Fora da ficção, a crescente violência no meio urbano, restringe-se a determinados perfis sociais e cresce onde a insegurança e a subordinação às facções dominam. Portanto, deve-se analisar as causas do crescimento da hostilidade na área urbana e seus efeitos na sociedade ali residente.
Em uma primeira análise, deve-se analisar os fatores que movem o desenvolvimento da violência urbana, ou seja, a urbanização desordenada, já que essa, forma conglomerados onde a lei e os direitos básicos não são respeitados, além das desigualdades sociais, isto é, a busca por melhores condições de vida leva os jovens, principalmente, a cometerem delitos, muitas vezes hediondos. Outro fato relevante é que, segundo a OMS, no período de 2011 a 2015, 270 mil homicídios foram cometidos no Brasil, mesmo número de pessoas mortas na guerra da Síria.
Sendo assim, os efeitos sobre a sociedade brasileira em meio ao jogo de Estado e crime são muitos e, aparentemente, perenes. Em termos econômicos, a redução do número de trabalhadores em idade produtiva por morte ou reclusão, retira potencial mão de obra especializada do mercado. Em termos sociais, propicia maior marginalização de classes já afetadas diretamente pelo crime, além de aumentar o número de delinquentes. Todos esses fatos, aliados à inoperância governamental, condenam a sociedade a sempre “lidar” com o crime e não o combater.
Desta forma, é premente que haja intervenção precisa do Estado para combater tal problemática. Ao Ministério da Justiça, cabe a implantação de grupos táticos nas áreas de maior incidência de crimes especializados, por meio da construção de centros de inteligência com profissionais e aparelhos securitários capacitados para enfrentamento ao crime, objetivando o controle das regiões pela lei. Somente assim, pode-se evitar novos cenários como o vivenciado por Buscapé.