Violência urbana: um desafio a ser enfrentado pela sociedade brasileira

Enviada em 17/09/2021

No filme brasileiro “Cidade de Deus”, é retratada a realidade vivenciada por moradores da favela do Rio de Janeiro, tipificada pela violência e pela criminalidade. Nessa perspectiva, a trama explora o sentimento de insegurança desses moradores, os quais são expostos a um cotidiano de medo e de desamparo. Hodiernamente, fora da ficção, muitos brasileiros, em razão da crônica desigualdade social do país e da falha atuação policial, enfrentam situação semelhante. Logo, faz-se imperativa ações do Estado na contenção desse grave desafio: o combate à violência urbana.

Em primeiro plano, é imperioso salientar que a estrutura socioeconômica do Brasil, marcada pelas disparidades econômicas, favorece o recrudescimento dos índices de violência urbana, uma vez que ela permite a exclusão de substancial parcela do corpo social do acesso à oportunidades de trabalho e, consequentemente, de renda. Sob esse viés, destaca-se que o caráter tardio do processo de industrialização brasileira suscitou inúmeras consequências nos grandes centros urbanos, tal como o fenômeno da “Macrocefalia Urbana”: intensa concentração de pessoas e atividades em um espaço limitado. Dessa maneira, o crescimento demasiado e rápido da população ultrapassou , por exemplo, a geração de emprego, deixando muitos indivíduos sem opções lícitas para se sustentarem, os quais-infelizmente- recorrem à criminalidade. Assim, diante dos fatos apresentados, é imprescindível uma ação do Poder Público para modificar a atual conjuntura social.

Ademais, é válido destacar o modo como a polícia brasileira trata o crime: valendo-se de uma violência excessiva, a qual afeta- inevitavelmente- muitos incocentes. Segundo o célebre filósofo Michael Foucault, na obra “Vigiar e Punir”, o crime, além de sua vítima imediata, ataca diretamente o Estado, pois a lei vale como sua vontade, logo a intevenção estatal não é uma mediação de conflitos ou uma garantia de segurança, mas uma réplica direta àquele que o ofendeu. Ora, se um governo se utiliza de mecanismos violentos sem analisar, de fato, a segurança da população, entende-se, assim, o porquê da perpetuação da violência. Dessa forma, faz-se necessária uma mudança na postura dos policiais.

Portanto, a fim de reduzir as disparidades econômicas e sociais do país, urge que o Ministério da Cidadania, órgão responsável pela promoção de benefícios assistenciais, invista, por meio de verbas, na criação de diretrizes que priorizem a geração de emprego e de renda voltadas à população desassistida de investimentos sociais. Além disso, compete ao Ministério da Segurança Pública, o desenvolvimento, por intermédio do treinamento de profissionais da polícia, de uma conduta que priorize a sociedade em detrimento dos agentes criminosos. Somente assim, poder-se-á combater a violência urbana e contribuir para que o drama narrado em “Cidade de Deus”, seja, em breve, apenas ficção.